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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Outros apontamentos sobre os encontros de improvisação espontânea com o canto

Ah, "passar o rodo" é uma expressão futebolística, que significa massacrar o adversário e marcar gols e ganhar o jogo, quiçá o campeonato.

Nesse jogo de chegar e cantar num grande grupo, como o que temos feito desde agosto, não é para se encontrar adversários.

Estou tentando nos colocar em contato com estranhos, que cantam também, que tem potência. Estranhos, estrangeiros, diferentes, outros sons, outras texturas, outros raciocínios musicais. Para que o nosso dê um salto quântico. De uma vez por todas.

Como foi estranhamento puro o nosso encontro com a rapaziadinha na última quarta. Recuamos, é certo, talvez para não fazê-los pressionar a coisas que eles não podiam nos dar de pronto, mas foi um bom trabalho, repito! Eu iria ficar surpresa caso algum deles viesse me pedir: vamos fazer um som desses na formatura. Havia mediadores demais, para conter, refrear. Refrear, talvez, o desejo implícito de "massacre".

Massacre é a parte primeva da humanidade. Acredito que nossa geração não poderá presenciar aos homens depondo enfim as armas e amando, porque amar é bom, e amar tudo, o que é sólido, líquido, gasoso e outros estados de ânima que desconheço.

O medo virá, é certo, a gente se sente sozinho, é certo, no meio de tanta gente. Barulho e exacerbação de egos ocorrerá. Confusão sísmica no corpo ocorrerá. Não dá para saber se é excitação sexual, se um jato exagerado de adrenalina. Qualquer coisa assim. Daí que me ocorreu falar em "passar o rodo". Que é essa a descrição que jogadores do naipe do Zico, Sócrates, Rai fizeram, no que se refere a saber que o jogo estava ganho antes de sair do túnel para o campo.

Na última quarta-feira não fomos vorazes, fomos doces, porque afinal eram "crianças acuadas" partilhando a experiência. Ledo engano, voces verão no video o rito das fileiras. Eu estava angariando no exercício a força, a mais primeva, antes de fazer as pazes com a potencia.

E Deleuze e Guattari poderiam participar desse papo cabeça unilateral. E o cara da percepção, Satre também,mas o outro, fugiu o nome, já lembro. E Kandinski e seu "Do espiritual na arte" - o termo espiritual neste trabalho, cantante, tem outra conotação que a que professamos. Bonito igualmente, mas outro olhar sobre o objeto. Merleau Ponty é o cara cujo nome me escapou, vixi... papo cabeça demais... Bora ouvir Wladmir Godar e seu Mater...

A garganta vai secar, a mente trava e as conexões neuronais tem pequenos colapsos. Pode me chamar do que quiser, estou pedindo para que você, num momento desses, la no dia 24, mexa-se na roda e segure a mão de alguém menos estranho. Ou do mais estranho de todos. Pegue a mão da pessoa e perceba a potencia. Potencia é diferente de força, de gana, de garra. Potência é antes da vida, é o que gera a vida.

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