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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Terra Sonora

*caricatura de Claudia Gutierrez

Foram quatro dias densos, de 22 de outubro a hoje. Duas apresentações por dia. Alunos do SESI Portão assistindo ao trabalho (o trabalho foi feito lá), bem como professores da Rede Municipal de Ensino. Ao invés desse pessoal fazer permanência na escola, tinham que assistir a um dos 265 espetáculos espalhados por 45 pontos da cidade. Semana da Cultura, a Secretaria Municipal de Educação em conjunto com a FCC promoveram.
Muita energia despendida, para dar conta do trabalho acústico (sala muito boa a da escola, própria para musica de câmera), para manter a calma com o excesso de zum zum zum, de alguns alunos e muitos professores... muito sono, por acordar bem cedo e em horário de verão. Acho que e por isso que a Claudia nos desenhou de olhos fechados. Eu os tive assim 85% do espetáculo. Para manter o fio e o controle da voz, sujeita as intempéries do ciclo... sai-me 90% bem.
O desempenho do Terra sempre me surpreende. E muito bom tocar com eles. Gosto da autenticidade deles, da fragilidade deles, das descobertas, das bobagens que dizem, da dor silenciosa de alguns, mesclada com algumas gargalhadas. Do jeito como lidam com a minha fragilidade. E do jeito como transformam a musica num delicado parque de diversões, daqueles de cidade pequena. Gosto dessa gente, de suas esquisitices.
Recomendo, a todos que não conhecem, assistir-nos no Paço da Liberdade, Curitiba, no dia 1 de novembro de 2013 as 20h. Aos que conhecem, levem amigos. E uma viagem adorável pelos cinco continentes.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O testamento de Beethoven


*imagem e texto extraido do Wikisource

"Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantropo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas acções; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos. Iludido constantemente, na esperança de uma melhora, fui forçado a enfrentar a realidade da rebeldia desse mal, cuja cura, se não for de todo impossível, durará talvez anos! Nascido com um temperamento vivo e ardente, sensível mesmo às diversões da sociedade, vi-me obrigado a isolar-me numa vida solitária. Por vezes, quis colocar-me acima de tudo, mas fui então duramente repelido, ao renovar a triste experiência da minha surdez!
Como confessar esse defeito de um sentido que devia ser, em mim, mais perfeito que nos outros, de um sentido que, em tempos atrás, foi tão perfeito como poucos homens dedicados à mesma arte possuíam! Não me era contudo possível dizer aos homens: “Falai mais alto, gritai, pois eu estou surdo”. Perdoai-me se me vedes afastar-me de vós! Minha desgraça é duplamente penosa, pois além do mais faz com que eu seja mal julgado. Para mim, já não há encanto na reunião dos homens, nem nas palestras elevadas, nem nos desabafos íntimos. Só a mais estrita necessidade me arrasta à sociedade. Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava!
Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou! Pareceu-me impossível deixar o mundo antes de haver produzido tudo o que eu sentia me haver sido confiado, e assim prolonguei esta vida infeliz. Paciência é só o que aspiro até que as parcas inclementes cortem o fio de minha triste vida. Melhorarei, talvez, e talvez não! Mas terei coragem. Na minha idade, já obrigado a filosofar, não é fácil, e mais penoso ainda se torna para o artista. Meu Deus, sobre mim deita o Teu olhar! Ó homens! Se vos cair isto um dia debaixo dos olhos, vereis que me julgaste mal! O infeliz consola-se quando encontra uma desgraça igual à sua. Tudo fiz para merecer um lugar entre os artistas e entre os homens de bem.
Peço-vos, meus irmãos (Karl e Johann) assim que eu fechar os olhos, se o professor Schimith ainda for vivo, fazer-lhe em meu nome o pedido de descrever a minha moléstia e juntai a isto que aqui escrevo para que o mundo, depois de minha morte, se reconcilie comigo. Declaro-vos ambos herdeiros de minha pequena fortuna. Reparti-a honestamente e ajudai-vos um ao outro. O que contra mim fizestes, há muito, bem sabeis, já vos perdoei. A ti, Karl, agradeço as provas que me deste ultimamente. Meu desejo é que seja a tua vida menos dura que a minha. Recomendai a vossos filhos a virtude. Só ela poderá dar a felicidade, não o dinheiro, digo-vos por experiência própria. Só a virtude me levantou de minha miséria. Só a ela e à minha arte devo não ter terminado em suicídio os meus pobres dias. Adeus e conservai-me vossa amizade.
Minha gratidão a todos os meus amigos. Sentir-me-ei feliz debaixo da terra se ainda vos puder valer. Recebo com felicidade a morte. Se ela vier antes que realize tudo o que me concede minha capacidade artística, apesar do meu destino, virá cedo demais e eu a desejaria mais tarde. Entretanto, sentir-me-ei contente pois ela me libertará de um tormento sem fim. Venha quando quiser, e eu corajosamente a enfrentarei.
Adeus e não vos esqueçais inteiramente de mim na eternidade. Bem o mereço de vós, pois muitas vezes, em vida, preocupei-me convosco, procurando dar-vos a felicidade.
Sede felizes!
Helligenstadt, 6 de Outubro de 1802.
Ludwig van Beethoven."

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

As ideias

*descobrir Portugal Capela de São Leonardo de Galafura

em que você baseia suas composições?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A semana



*google images



Começou a chover e eu pergunto "com que roupa eu vou".
Sem cama, sem diamante, sem entender nada de nada.
Tem sido bom observar alguns grupos e atores sociais cantando na semana que passa.
Primeiro as senhorinhas da APP Sindicato, umas lindas, com suas vozes ternas.
O grupo delas fez 30 anos no dia 15.
Aqui e o naipe das sopranos, não sei de quem e a foto, alguém da associação tirou...
Tem mulheres cantando há trinta anos lá.


Ai eu  fui rever minha performance junto a Dona Sira, corrigir finais de frase e notas sustentadas.
Logo após fui tossir no ensaio do Terra Sonora, arrasada por ter pisado num coco bem fedido que emporcalhou o ambiente e me obrigou a finalmente me desfazer do único sapato que uso.
Mais tarde, o exercício com novas parcerias não escolhidas por mim, aliar Lian Gong com canto e tentar convencer a um grupo promissor que vale a pena cantar em publico, nem sei por que ando falando isso...

Próximo passo, como quem tira o "coelho da cartola", propor a realização de show grátis para publico no mínimo cheio de marra e de tudo saber, que assiste ao outro de braços cruzados, esperando o colega "se ferrar". Tudo isso numa tentativa de dar sentido a um novo ano letivo um tanto caduco.
Em seguida a briga de foice no grupo "Canções de Ar" e nem vou comentar isso.
Mais tarde, os futuros atores sobre os xilofones e uma assembleia estudantil citando Brecht, dialética ou qualquer coisa assim.
Então a princesa linda, futura ex-atriz, cabelos longos, cacheados, que veio me contar "tenho uma doença degenerativa, todos os meus movimentos corporais cessarão em um ano e eu não podia vir pra sua aula, você e o meu retrato agora..."
Depois o "sound painting" do Ricardo, outro futuro ator-diretor teatral.

Então os homens, a ciranda, as palmas, "esfregas", a pelve árabe,  o intervalo de quarta, de quinta, a retomada, o 54321, o gospel, o Renato Russo, a Madonna, a Elis e o pessoal a pontuar "você precisa melhorar a respiração"... onde, como e por que só eles sabem... falei de trabalho, pra alguns já se avizinha no horizonte o trajeto a percorrer, para outros e busca do inimigo interno.

Venho para casa no fim do dia, Deus resplandece ao por-do-sol e eu me embrenho nessa rede... um amigo, ator global no Rio de Janeiro, usou um termo pra ela que não lembro agora...
Vou revendo todo trajeto de ação pedagogico-artistica  e penso no que me espera amanhã. Tina Turner...
No condomínio, por sorte só ouço conversas e sinto cheiro de churrasco, feito naquelas churrasqueirinhas de americano... musica não se ouve por aqui, a não ser o teclado da chuva - ah, um ou outro ribondar de baixo em uma caixa de amplificação distante...
Deixei, na semana que vai, alguns cantores a ver navios, fiquei muito triste por ser um espelho quebrado e não tinha desejo de cantar depois da noticia... então me veio o gospel, e antevi a possibilidade de qualquer cantor aceitar sua sina de feiticeiro, xamã, druida, bardo e jornaleiro, senão jornalista.
Continuar a trabalhar, esse e o único movimento a fazer no momento.
A responsabilidade canta para mim.
Que me venha o ultimo dia desta semana, com a bênção dos guias espirituais.
Evoe.

Sarvesham Shantir bhavatu
Sarvesham Purnam bhavatu
Sarvesham Mangalam bhavatu.
Om - Puede ser auspicioso para con todos.
Que la paz sea con todos.
Que la plenitud sea con todos.
Que la prosperidad sea con todos

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Uma mistura de movimento e satisfação

*foto de Ari Almeida, do dia 5 de outubro de 2013 na FEP, Curitiba - Pr - Brasil, ao lado do pianista Davi Sartori


Olha o que o corpo em movimento pode expressar...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Um pouquinho de trabalho, para quem curte trabalhar:

*google images

Hoje sonhei com algo importante para mim. Eu caminhava. Com minha ortese e bengalas, mas ereta, delicadamente equilibrando o peso entre braços e pernas, trabalho dificílimo para o meu eixo angular em S. Eu caminhava por uma rua envelhecida aqui de Curitiba, ou similar. Rua de paralelepípedos, cheia de depressões e saliências. Eu caminhava firme, decidida, olhando a frente, indo adiante sem parar, no mesmo ritmo. Caminhava em direção a um espaço, ensaio provavelmente. Um pouco antes de despertar, o caminho parecia aumentar conforme eu avançava. Fiquei com medo de não chegar. Não dar conta. Parei. Quase sorrindo como se entendesse onde falhara o meu caráter.
Ha pouco, pesquisando, encontrei esse profissional, me dando a mão e dizendo: continue a caminhar -

**dharmalog- copiei a entrevista de 17 de janeiro de 2012, jornal  La Vanguardia - Espanha - El eneagrama de la sociedad. Males del Mundo. Males del Alma.

”Ocúpate del reino del corazón, y lo demás te llegará“. Claudio Naranjo

Qué es el eneagrama?

Una herramienta de autoconocimiento, la más completa.

 ¿En qué consiste?

Es un mapa de las nueve pasiones que conforman tu personalidad: te ayuda a conocerlas, y así identificar cuál de ellas te domina.

¿Cuáles son esas nueve pasiones?

Ira, orgullo, vanidad, envidia, avaricia, cobardía, gula, lujuria y pereza.

Suenan a los pecados capitales.

Los griegos ya enumeraron casi todas esas pasiones, llamadas luego pecados por el cristianismo, y que son a su vez los nueve eneatipos del eneagrama.

¿Y una de esas pasiones me domina?

Siempre hay una dominante sobre las demás: identifica cuál es la tuya, y así podrás trabajarte para equilibrarla con las demás.

¿Con qué fin?

Dejar de actuar reactivamente, con automatismos, como una máquina: ante cada situación serás capaz de actuar con conciencia.

¿Cuál es su pasión dominante?

La avaricia.

¿Sí?

He temido siempre quedarme sin nada: temeroso de la precariedad de mis recursos, me ha costado invertir en mis capacidades, he desconfiado de mí... Y eso me ha dejado en el filo del vivir, una vida por vivir.

¿No ha podido dominar esa avaricia?

Ya sí, pero ha sido difícil. Ya lo dijo Churchill: "El hombre se tropieza con la verdad..., pero se levanta y sigue su camino".

¿De dónde proviene el eneagrama?

De un esoterismo cristiano de Asia Central, que divulgó por Europa una especie de Sócrates ruso de principios del siglo XX, Gurdjieff. Y de él lo aprendió Óscar Ichazo, que me lo enseñó en el desierto de Arica.

¿Cómo fue usted a parar al desierto?

Era 1970, y yo pasaba el peor momento de mi vida... Y me retiré durante seis meses.

¿Qué le había sucedido?

Mi segunda esposa tuvo un accidente de automóvil y murió mi hijo de once años.

Sobreponerse debió de ser duro...

Yo tenía 37 años y me tendía en su camita y pasaba horas y horas llorando. Un día entendí que era llanto por lo que no había podido quererle. Sentí su presencia y dejé de llorar.

¿Y qué aprendió en el desierto?

Yo era médico psiquiatra. Vi que la medicina farmacológica abordaba síntomas, pero no la raíz del problema del paciente: la dejé para ejercer como psicoterapeuta.

¿Es muy malo que mande una pasión?

Lo malo es que en ese caso tu vida será más pequeña, automatizada, dilapidarás energías..., pudiendo vivir más plenamente.

¿Qué automatismo le hizo ser médico?

A los seis años vi la luna llena y le pregunté a mi madre qué era eso. Me dijo que era un cuerpo celeste, como lo eran las estrellas, los planetas..., y me habló de la gravedad... y experimenté un intenso placer ante ese vislumbre de conocimiento... Y ya busqué repetir ese gozo, y eso me llevó a la ciencia.

Pero luego dejó la ciencia.

Cuando sentí que la filosofía y la psicología afrontaban mejor el dolor de la infelicidad.

¿Cuál ha sido su momento más feliz?

A los 20 años tuve una relación erótica con una conocida de 40 años, y sentí tanta alegría... ¡El mundo era bello! Sentí la alegría normal del vivir, y ahí fui consciente de que yo no había estado vivo hasta entonces.

¿Ha llegado a conocerse perfectamente a sí mismo?

En el centro de la cebolla, si vas quitando capas y capas, no hay semilla, ¡no hay nada!

¿Qué significa esto?

Que lo único que hay son los demás. Antes yo me recluía en mi torre de marfil, pero hoy veo los problemas del mundo...

¿Cuáles son?

Todos derivan de una estructura patriarcal profunda, de modo que todos se diluirían si educásemos a los niños de otra manera.

¿Cómo, exactamente?

Integrando intelecto, cuerpo, emociones y espíritu, para ser más amorosos, más libres: más sabios. Pero para eso es decisivo primero que eduquemos a los educadores.

¿Tenemos una educación no amorosa?

Demasiado intelectual, institucional, individualista, patriarcal y poco humanística. Nuestra sociedad sigue siendo machista y depredadora. Ya decía Cicerón: "Cada senador es sabio..., pero el Senado es un idiota".

¿Solución?

Integrar intelecto, amor e instinto, nuestros tres cerebros. Abrazarlos a los tres de verdad: por ahora, el intelecto ha eclipsado el amor y ha demonizado el instinto.

¿Debo dejarme llevar por mi instinto?

Si te arrastra, no eres libre: se trata de aliarte con tu instinto.

¿Qué pasión domina hoy al mundo?

La vanidad. Se expresa en la pulsión por el éxito económico, la supremacía tecnológica, la confusión entre valor y precio...

¿Hacia dónde se encamina el mundo?

Muchos son los llamados..., pero muchos son también los sordos. Hay una pulsión de transformación cierta, pero pasa por encender la luz y ver en tu propia oscuridad.

Y si lograse encenderla, ¿qué veré?

Sabrás que todo es pulsátil, que todo late... Si buscas el yo, acabarás topándote con la ausencia de yo: lo transformador es sentir el ser. Si eso sucede, tendrás días peores o mejores..., pero recordarás el sabor del ser.

¿Un consejo definitivo?

Ocúpate del reino del corazón, y el resto te llegará por añadidura.

Eneagrama social

Es un señor plácido de cándidas barbas y verbo cálido que ha dedicado su vida a estudiar la anatomía de la psique. Eso lo llevó a ser el pionero de la integración psicoespiritual mediante el Instituto SAT, que aplica el eneagrama para profundizar en el autoconocimiento de la personalidad. Lo que, a su vez, le ha llevado a promover una educación transformadora desde la Fundación Claudio Naranjo (fundacionclaudionaranjo.com), con propuestas convergentes con las que formula el filósofo y profesor José Antonio Marina. También publica libros como El eneagrama de la sociedad.Males del mundo, males del alma (La Llave) y da charlas (como este jueves en Granollers: www.espaipertu.com).

quarta-feira, 2 de outubro de 2013