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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Núcleo Fundador




No trabalho de mestrado concluído em 2010 - você já pode encontrá-lo online ou na biblioteca da UFPR*, falei sobre as relações humanas existentes numa comunidade de prática musical. Especificamente um coral. Como li bastante meu trabalho essa semana, para finalmente colocá-lo nas mãos dos acadêmicos, lembrei do Núcleo Fundador, aquele grupo de pessoas que não é o regente, nem coordenador, mas cantantes, cantantes que permitem que o coro permaneça inteiro ou  desmorone. É um grupo de pessoas com certa vibração, pioneiros, os que lançaram a pedra fundamental, os que ergueram as primeiras barracas, roçaram o espaço, plantaram o primeiro canteiro, trouxeram o primeiro leite e fizeram o primeiro fogo. É um grupo restrito, com certo impacto sobre as demais pessoas - veteranos e novatos e regente - que faz os outros tremerem, que diz "não" na cara dura...  tão forte é a vibraçao pessoal dessa gente, que quando um ameaça sair da posição, a casa cai... É bom que outros participantes periféricos tenham oportunidade, a seu tempo, de passar ao núcleo, mas isso é quase impossível. O Núcleo Fundador é o Uróboro, o fim e o começo de ciclo. Quando o último se for, quiçá alguém tenha criado uma vibração capaz de gerar o novo, quem sabe...
Fica aí meu estudo, para voces pensarem e usarem, para o bem comum. Uma força dessas, gerada pelo Núcleo Fundador, é um presente. Poder confraternizar, quando nos encontramos, é dádiva dificílima de se conseguir, porque não somos família, somos outro tipo de congregação.
Abraços a todos que possuem seus Núcleos Fundadores.


*

Catalogação na publicação
Fernanda Emanoéla Nogueira – CRB 9/1607
Biblioteca de Ciências Humanas e Educação - UFPR

 
               Guariente, Liane Cristina
                    Comunidade de prática musical : um estudo sobre um grupo coral em Curitiba  /  Liane Cristina Guariente  –  Curitiba, 2010.
                    124 f.

                    Orientadora: Profª. Drª. Rosane Cardoso de Araújo
                           Dissertação (Mestrado em Musica) – Setor de Ciências, Letras  e Artes  da Universidade Federal do Paraná.

                    1. Canto coral. 2. Coros (Música) - Curitiba-PR. 3. Música - Instrução e ensino. 4. Música e sociedade. I.Título.                      
                                                                         
                                                                                    
                                                                               CDD 782.5
                                                                         

sexta-feira, 2 de maio de 2014

TÓPICOS SOBRE VOZ CANTADA: “INSTRUMENTO INVISÍVEL”

*ALTOS, DO CORAL DO CEIC


Quais os critérios que o cantante precisa considerar para avançar vocalmente:


Consciência técnico-vocal – o orientador vocal pode ser um facilitador (ou dificultador, se não houver empatia entre ele e o cantante) dos seguintes procedimentos:

Conhecer seus procedimentos respiratórios (para as diferentes atividades físicas que exerce)
Reorganizar a postura corporal
Conhecer seus locais de ressonância vocal
Conhecer sua extensão vocal
Conhecer sua tessitura vocal
Conhecer sua região de conforto vocal
Conhecer seus limites vocais
Conhecer as regiões de quebra
Conhecer os locais favoráveis de articulação de cada fonema
Querer superar-se vocalmente
Conhecer sua maleabilidade para cantar
Observar sua expressividade vocal (quanto de imaginação possui e quanto consegue empregar desse exercício em sua execução vocal)
Cuidar da apatia, uma “certa anestesia” que acompanha alguns cantantes, indiferentes e distantes do que estão produzindo enquanto cantam (como se o canto fosse um milagre, como se surgisse espontaneamente, “dos céus”, como se “caísse no colo de alguns").
Pensar no canto como um ‘produto’, não desses que se vendem em camelô.
Dar um sentido específico ao que canta (do mesmo modo que se esforça para dar sentido ao que diz numa discussão, numa argumentação, quando precisa convencer alguém).
Envolver-se emocional e afetivamente com o próprio canto.
Afinação responde a padrões culturais. Utilizamos o padrão centro-europeu de afinar. Precisamos conhecer à perfeição esse padrão (conhecer cada tom, cada intervalo, cada escala, grupeto, motivo, partes da frase, o tema como um todo, pelo menos o padrão 440hz).
Outros padrões, de outras culturas, são dinamicamente enriquecedores do conhecimento vocal, realimentam as sensibilidades ao próprio canto.
Todos estes procedimentos devem estar a serviço da peça que se está cantando. Por isso:
Conhecer profundamente a peça, em detalhes – rítmica, melódica, harmônica, agógica, dinâmica, por audição e, se possível, por alfabetização musical.
Considerar que bloqueios psíquicos podem impedir os avanços que se esperam da voz. E que talvez seja necessário tratar tais bloqueios em processos terapêuticos.
Considerar que é necessário educar o ouvido, ensina-lo a perceber o todo, as nuances, sutilezas, a ouvir em planos. Ouvimos por via interna e externa. O som vocal é conduzido ao meio externo até o conduto auditivo. Nós o sentimos por meio dos ossos (especialmente do pescoço e cabeça). A voz se propaga no ambiente e retorna ao ouvido, para ser processada pelo cérebro, onde ganha sentido. Este processo, do “mundo da forma”, pode ser mediado pelo orientador, que informa ao cantante a qualidade do som que está captando, é capaz de descrever o som produzido pelo cantante, procura ajudar o aluno na localização de suas sensações. Porém, o trabalho do cantante é de autoanalise, autocontrole e autogestão. Que “conteúdo” eu tenho para oferecer a esta “forma”?
Considerar que é preciso lidar com sensações corporais enquanto se canta – executar o canto pelo tato (percebendo onde é preciso firmar, onde relaxa, o que abre, o que suspende, quantidades – de ar, de vibração do som).
Conhecer sua destreza em aprender.
Conhecer e desenvolver memória de canções.
Conhecer a função de sua voz quando participante de agrupamento vocal.
Quando estamos atrás de resultados, podemos estar raciocinando de forma tecnicista, reducionista.
Existem singularidades pessoais que tem de ser levadas em conta, primeiro pelo próprio cantante para a maturação da consciência técnico-vocal.