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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Início da mensagem


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Canto é meu escudo sagrado, sem ele o druida rei mago aqui fenece. Gosto demais das pessoas que tratam o canto com eficácia e respeito.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Ser útil

Olá, tudo bem?
Tenho dito bastantes coisas que precedem a entrada do cantante na  "lida de cantante" (quando ele deixa de ser cantante de chuveiro e passa a abrir o cantar como uma habilidade importante a ser desenvolvida, como dormir, alimentar-se, caminhar).
Hoje coloquei três referências a serem tomadas como base ao exercício:
chorar - afeito aos sons graves que produzimos com nossa voz, quando o choro é profundo e nos sacia.
rir - afeito aos sons médios da nossa voz, com uma infinidade de variações melódicas e que só sacia quando bem gargalhado.
gritar - afeito aos sons agudos da nossa voz, imprescindíveis em nosso exercício de autolibertação (dos padrões, dos grilhões autoimpostos pela adultez).
A mistura destas três manifestações vocais primevas ajuda a dar forma ao canto.
O canto possui categorias, que vão das estridências mais "ardidas" aos mais puros matizes de tom (neste caso citei os cantores líricos como estando num dos extremos da estratificação, e que será árduo o trabalho de ombrear com eles - muita dedicação e estudo, que começa seriamente a partir dos 14-17anos, quando da entrada na puberdade, assim como será dificílimo adonar-se de certas técnicas de estridência usadas em algumas culturas).
Algumas técnicas vocais promovem longevidade à voz, outras limitam sua utilização.
Em geral, o cantante necessita adentrar os estudos musicais para bem utilizar sua voz de canto.
Falei também sobre contexto, sobre as canções fazerem parte do cotidiano de um cantante, como história de vida dele.
E então comecei a perguntar qual seria a canção do momento histórico que ora vivemos. E as pessoas trouxeram a necessidade do riso, de tornar mais leve tal momento.

Aposto nas canções "fibrosas", como Lá, da Ceumar, Milagre da Alegria, do Morais Moreira, Viva, do Kleiton e Kledir, Coração Civil, do Milton Nascimento e Cavaleiro de Jorge, do Caetano. Estão aí as minhas sugestões.

Na segunda-feira uma amiga me mostrou um CD que ela ganhou na empresa: o chefe saiu de setor em setor perguntando aos colegas qual a música significativa de 2013 para cada um. Anotou direitinho e montou um CD. No dia da confraternização, todos ganharam o CD, com as músicas preferidas do grupo. Um ótimo exercício de solidariedade.


Como a estrela ria, como a canção se fez
Como o amor me guia
Eu me guio só por vocês
Tanto serei criança
Tanto melhor a voz
Tanto serei quem dança
Quando a dança fizermos nós
Vai, vem tudo que o mundo tem
Só o que não se cansa
É a gente se querer bem.

 



Zimbabwe:
O nosso som é espiritual. Quando temos um problema, nós tocamos e cantamos. Essa comunicação com nossos ancestrais nos torna mais seguros, corajosos e preparados para enfrentar os obstáculos, que não são poucos.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Mannaz segundo semestre de 2013 – Relatório final



          *Liew Yit Hong  arts,artists,artwork
                                                                                                    
         
          Ao proceder revisão de literatura para a segunda fase do Projeto Mannaz, desenvolvido por mim desde fevereiro de 2013 (vide a primeira parte do relatório), em conformidade com o setor de Extensão e Cultura da Faculdade de Artes do Paraná, dei com o pensamento de Deleuze (2009), o qual me sugeriu uma analogia entre seu processo de construção do Anti-Édipo e o processo de construção das sessões vocais que vivenciamos, participantes de vários grupos corais de Curitiba e Região Metropolitana  e membros da comunidade. Deleuze (2009) deu a conhecer a maneira como acomodou sua obra, em parceria com Guattari. Descreveu como eles se utilizaram de todos os recursos poéticos que os aproximavam e os distanciavam no agir, experimentar e pensar. Que ambos exercitaram pseudônimos enquanto compunham o Anti-Edipo e que tiveram, com essa ação, a intenção de manter-se despercebidos, para “(...) se chegar ao ponto em que já não tem qualquer importância dizer ou não dizer EU”.  Deleuze argumentou que em um dado momento da construção “não somos mais nós mesmos. Cada um reconhecerá os seus. Fomos ajudados, aspirados, multiplicados”. Foi esta a nossa reação diante das sessões vocais realizadas, e eu as enumerarei adiante.
          Tal qual o processo descrito por Deleuze (2009), no Projeto Mannaz não tivemos um objeto ou sujeito definido para dar suporte às estratégias utilizadas durante as sessões vocais. Elas foram como afirmou Deleuze, a junção de “matérias diferentemente formadas, de datas e velocidades muito diferentes”, conteúdos de vivencias sonoras pessoais de cada participante. No caso no Mannaz, o mês de agosto de 2013 foi um período árduo, de descobrir as correlações entre as matérias, suas
linhas de articulação ou segmentaridade, estratos, territorialidades, mas também linhas de fuga, movimentos de desterritorialização  e desestratificação. As velocidades comparadas de escoamento, conforme estas linhas, acarretam fenômenos de retardamento relativo, de viscosidade ou, ao contrario, de precipitação e de ruptura”. DELEUZE (2009),p.11-12.
          Criei com os participantes, no período entre agosto e novembro de 2013 as mais diferentes situações para constituir as sessões vocais, todas registradas em vídeo. Acreditei ser importante aproveitar todas as oportunidades possíveis de promover o que Deleuze (2009) chamou de agenciamento. A cada encontro inusitado dessas sessões vocais, pudemos observar que houve uma multiplicidade de fatores favoráveis e desfavoráveis para a pratica da improvisação livre, termo musical que usarei doravante, emprestado a Violeta de Gainza, pedagoga musical. Se tivemos, com o Projeto Mannaz, condição de esboçar um “organismo ou totalidade significante” no dizer de Deleuze (2009), ou seja, fazer das improvisações vocais livres base para futuras criações – composições e arranjos vocais -  não houve tempo hábil para dispor dos materiais coletados, organizados não  para outra finalidade que  corroborar as participações num primeiro momento. Os materiais em vídeo, sem edição, serão de grande valia para analise e criação de instrumentos pedagógicos musicais em 2014, na área do canto coletivo.
           Ao abrir os arquivos das sessões, não garanto que haja, para as observações, encorajamento ao novo, ou seja, lá estaremos nós, de olhos fechados, murmurando em plano diferenciado, em riste, com o dedo classificador e sem condições de tomar partido quanto a qualidade das criações. A lente não capta com presteza o campo energético de cada sessão. A lente não é um psicoscópio[1]. Será necessário valermo-nos de recursos investigativos para levantar nas imagens e sons o limite entre o livre e o acorrentado. Para então, encontrar o caminho do meio e construir diretivas para outras experiências do gênero.
           Ouso, neste relato final, utilizar material teórico de diversas fontes, que emprestarão força poética além do rigor acadêmico exigido em memoriais. Por exemplo, segundo o I Ching, mais especificamente o hexagrama O poder de domar do pequeno,
o vento pode reunir as nuvens no céu, mas sendo apenas ar, sem corpo sólido, não é capaz de produzir efeitos grandiosos ou duradouros. Assim, em épocas em que não é possível uma grande atuação exterior, resta ao homem a possibilidade de aprimorar as expressões de seu ser mediante pequenas coisas.
          Cada sessão vocal tem sido um esboçar dessas “pequenas coisas” pequenas delicadezas da memória dos participantes, de suas historias de vida, pontuadas de som e espanto. Um jogo espontâneo, onde manipulamos ativamente a realidade sonora que nos circundava e morava dentro de nós. Gozamos, por consequência, de uma crescente compreensão  e capacidade de combinar os materiais externos e internos – conteúdos sonoros - para, quem sabe, criar uma forma musical padronizada nas varias categorias de beleza. Ou algo novo. Ou o caminho do meio.
           Em geral, não tínhamos ideia formada para começar o jogo. Nosso "carteado" eram as notas musicais, ou um barulho da voz ou do corpo, ou mesmo do ambiente (na FAP às vezes pode-se contar com o som do trem, por exemplo). Íamos, a cada sessão, ganhando habilidade para descartar e tomar novas cartas (novas notas, novos efeitos sonoros). E uma imagem sonora, ou paisagem, ou retrato, ia-se configurando, do caos a certa ordem.
          Usamos, por hora, maneiras livres de jogar, sem regras ou limites além das próprias restrições, que são retratadas nos vídeos - inibições e preconceitos, inseguranças, insipiências pessoais. Trabalhamos com conceitos e pré-conceitos sobre o que pode ou não pode ser usado para se fazer “musica boa”. Pretendemos com isso mobilizar estruturas musicais já internalizadas, internacionalizadas (a partir de nossas culturas), além de poder absorver novos materiais e estruturas - e a forma ganhou, aos poucos, crédito para nós. Passamos num dado momento a chamar a forma de Arte, ou Invenção, “uma coisa beija a outra”.
          Além de reproduzir modelos consagrados (os arranjos vocais que estudamos), cuidando para não anelar frustrações e fixações em abundância e viciar os processos de estudo e ensaio musicais, demos asas ao tempo de olhar com as mãos - no nosso caso, deixar o som vocal-corporal vir, cru, grunhido, silvado, grasnado, como era quando não dominávamos a linguagem falada ou nos movíamos por espasmos.
           Houve um encontro significativo nas sessões com aquele período infantil dos nossos balbucios: naquela época, tínhamos uma necessidade urgente de fazermo-nos compreender pelos vultos que vagavam perto de nós ate mais ou menos o quarto mês após o parto. Ate o sexto mês, marcávamos, com o choro, o grito e o riso, o vinculo com nossas mães. E vinham entrando nos jogos de expressar o pai, os irmãos e agregados, numa ciranda de incompreensão e insights. Nas sessões vocais buscamos, entre pessoas que conhecemos pouco ou nada, um vinculo univérsico, usando os mesmos recursos ou materiais da infância remota, talvez levemente sofisticados por alguma percepção nova do modo de chorar, gritar ou rir. Aprendemos, durante as sessões, a criar uma cena altamente manipuladora regada por musica melódica, intencionalmente. E nos perguntamos a cada encontro como, com que materiais iriamos atuar criativamente no contexto sonoro. Cada participante trazia um estilo, um modo de pensar, e foi com ele que pudemos construir algum aprendizado musical e afetivo, conquistado gradualmente.
          As sessões vocais pretenderam provocar de inicio expressão, comunicação e descarga humanas. Jack Dobbs, citado por Violeta de Gainza, sugere:
Comecemos com o som antes de qualquer sistema. Com o som e o silêncio, deixando ao encargo (...) a investigação e a produção dos sons. O som é nossa propriedade comum e o saborear um só som é o começo do saber musical.

          As sessões vocais funcionaram como teste projetivo – personal, definindo o nível de musicalidade em que nos encontrávamos no momento. Experimentamos a oportunidade de auscultar o universo musical de cada um, bem como os processos de produção sonora vivenciados no conjunto. Os processos sonoros foram produzidos a partir de diretivas globais, abertas e extramusicais.
          As Diretivas:
·        Ostinatos, grupetos, escalas de varias culturas, intervalos, células rítmicas, temas melódicos criados em tempo real, movimento de duas ou mais vozes, uso de instrumentos musicais tradicionais ou alternativos, uso de bordões, uma voz seguindo a outra, fugindo da outra, procurando “derrubar” a outra, citações de temas musicais conhecidos. Estes materiais foram estudados a cada sessão vocal por repetição e inovação e abriram espaço a novos ingredientes sonoros, novos "carteados", aliados a musica e ao movimento.
·        Nenhum estilo musical (jazz, pop, contemporâneo, medieval) restringiu qualquer sessão vocal realizada.
·        Em um dado instante, foram aparecendo as necessidades dos participantes - mais concentração, mais memoria, sensibilidade frente ao som, imaginação, possibilidade de superar bloqueios afetivos que se traduziam em "limitações ou estereótipos musicais", como quer Violeta de Gainza.
·        Esquema harmônico dado.
·        Retorno a sons sem significação especifica – balbucios.




          Se ate julho de 2013 esperávamos que voluntários nos procurassem aos sábados no estúdio 3 da FAP mediante convites feitos via Internet, bem como no “boca a boca”, com parcos resultados, no segundo semestre produzimos convites dirigidos, que começaram a florescer a partir do dia 24 de agosto, com os dois primeiros visitantes.
          Na sequencia, traço uma linha do tempo para descrever a rota dos trabalhos desenvolvidos.

Segundo semestre 2013
Participantes efetivos, que acompanharam todo o processo - Grupo piloto – SegundaSabado, UTP, Grupo de MPB da UFPR, Coral APPSindicato,  Grupo de origem - Coral do CEIC

           O grupo vocal SegundaSabado vem sendo dirigido por mim desde 2010. Nasceu do Coral da UTP e adaptou-se a minha forma de trabalhar com o canto coletivo. A maioria dos cantores caminha comigo desde a fundação do grupo e revelou-se parceira nas tentativas de inovação e alfabetização musical propostas ao longo desses anos. A ideologia utilizada com o grupo é baseada na fraternidade. Mesmo respeitando a hierarquia, os participantes vêm-se revelando solidários e disponíveis, abertos ao aprendizado musical. Abraçaram com cuidado a proposta do Projeto Mannaz e será possível, nos vídeos, observar sua total doação ao processo. Por isso chama-lo de grupo piloto.
          Eu já descrevera, no memorial anterior, a função do Coral do CEIC no processo. Foi com ele, coincidentemente em 2010, que iniciei as primeiras sessões vocais, para fins de conquistar novas técnicas vocais. Foi com ele que pude observar, estando eu em campo, em coleta de dados para a minha dissertação de mestrado, a forte irradiação provocada pelo seu canto nas plateias a que acorria. Eu o sentia “varrendo os ambientes” de impurezas sutis, especialmente quando cantava no Hospital Bom Retiro – Curitiba – Paraná. Foi este fenômeno que me conduziu a desenvolver o Projeto Mannaz em 2013. Por isso chamar o Coral do CEIC de grupo de origem.
          Também constando do primeiro memorial, vem a participação dos corais da APP Sindicato e GMPB da UFPR. Tive a grata surpresa de ser recebida por eles não só como pesquisadora e experimentadora, mas fui igualmente incluída em seu plantel, como cantora e preparadora vocal, graças à afinidade da Maestrina Doriane Rossi com meu trabalho. Sigo junto a estes grupos em 2014, em novas experimentações. Com o Coral da APP Sindicato comprovei minha tese de que o amor é a base de toda conduta humana, e que sem ele não existe trabalho, bem como o conhecimento “azeda”.
          Além destes grupos citados, alguns outros participaram das sessões vocais a saber:
Agosto 2013
·      Outras mulheres, CHR-APR, além da participação de dois  alunos de Licenciatura em musica  da FAP – não retornaram para a finalização do processo.
·      Visita de uma aluna da UTP – não retornou para a finalização do processo.
·      Luce del Anima, APP Sindicato, CEIC. Participação da Maestrina Doriane Rossi e do diretor musical Diego Gabardo – o grupo Luce dele Anima esta em negociações para minha participação como diretora vocal na gravação do CD do grupo em 2014, a partir da sessão da qual participou.
Setembro 2013
·        Sessão vocal com um grupo do Curso de Musicoterapia da FAP.
·        Visita de um funcionário da UTP – não retornou para a finalização do processo.

·         Duas sessões vocais, com alunos e professores de artes da Escola Municipal do Novo Mundo - Curitiba – Paraná.
·        Visita de uma aluna da FAP, que passa a integrar o grupo SegundaSabado em 2014.
·        Visita de uma aluna da UTP – não retornou para a finalização do processo.
·        Sessão com os Grupos Omundo Vocal da FAP e GMPB da UFPR. Participação do professor André Ricardo de Souza, do orientador vocal de teatro Fernando Sas e da Maestrina Doriane Rossi.
·        Sessão vocal no Encontro de Corais da FAE
com todos os participantes do evento.
Outubro
·        Visita de uma pessoa indicada pela maestrina Doriane Rossi, que passa a integrar o grupo SegundaSabado em 2014.
·        Concerto do Coral do CEIC – FEP – seis improvisações livres sobre o tema Aquarela do Brasil.
Novembro
·        Encerramento do Projeto Mannaz, Teatro Cleon Jacques.
·        Confraternização com a participação de Liane Guariente e Kafka Café, Gazebo – Quatro Barras, Curitiba, Paraná.
Considerações finais
         Escrevi ao SegundaSabado:
         “Olá pessoas, tudo bem? Amanhã temos uma noite insólita.
Sem o apoio efetivo de uma assessoria de imprensa, talvez bem poucas pessoas compareçam ao final do projeto além de nós. O GMPB esta de licença, improvável que alguém venha. Então, quero agradecer desde já a colaboração que vocês deram durante o processo. Antes de sair para o nosso encontro, queria lembrar sobre um ensinamento que aparece no final do filme Ratatouille: é muito difícil lançar algo novo, as pessoas resistem, procuram se opor a esse avanço, por algum motivo ou outro.  Desde o começo do Mannaz eu disse que a ideia que venho investigando não é nova e sim, será novo o produto criado a partir dela. E é  tão interessante o processo que as criações, a partir da improvisação livre, podem durar o tempo real em que ocorrem, inexistir após esse instante... ou podem ser captadas e trabalhadas em estúdio, transformando-se em objeto de apreciação estética.  Gostaria de convida-los a permitir-se hoje. A deixar que o feio, o belo, o medonho, o enfadonho, o engraçado, o esquisito, o sórdido se configurem em forma de som.  O espaço do Cleon Jacques é  grande, oferece possibilidades de direção para o som. Aproveitem a oportunidade. Divirtam-se. Escutem a própria voz e o contexto em que ela pode se inserir. Usem a imaginação. Pintem quadros no ar. Imitem. O tempo ainda permite tal artifício. Um abraço e ate logo mais.
          Sinto dizer que meu coração se partiu naquela noite. Ao constatar que houvera um problema de comunicação entre a FAP e a FCC, e não havia espaço na agenda para nossa participação, algo em mim se precipitou feito tsunami. Chorei durante trinta minutos diante de todos. Perdi as forças. Talvez o iluminador do Cleon Jacques, cujo nome desconheço, tenha se compadecido da situação e nos cedeu, após conversa com um superior, cerca de quarenta minutos para que procedêssemos a sessão vocal. Minha voz, presa nas correntes de choro, recorreu a uma oração judia, que devolveu aos poucos aos participantes certa calma e possibilidade de “pintar um quadro” ou cantar uma das mandalas que recobriam o chão do teatro. Perdi o direito de finalizar meu projeto com alegria. Travei para escrevê-lo no momento.
          Não quero, nestas considerações finais, deixar uma mensagem negativa. Muito pelo contrario. Devo agradecer as pessoas. Aos cantores do SegundaSabado, que me permitiram voar.  As senhoras da APP, que me deram amor. A Doriane Rossi, que acreditou em mim. Ao grupo do CEIC, que devolveu-me a chance de ter fé. Ao Andre Ricardo, que estendeu a mão.  Ao grupo italiano, que me fez sentir uma saudade que desconheço, de terras distantes. A FAP, de quem fui amante por longos trinta e dois anos e a quem pedirei, em breve, o divorcio. Antes de abrir o processo de desligamento, quero cantar um pouco com os funcionários da casa, com quem ainda não fiz uma sessão vocal. Como se trata, 2014, de um ano atípico, torna as possibilidades relevantes, para franca mudança de paradigma. Não quero que ocorra comigo o que vi ocorrer com duas amigas, que deixaram a FAP constrangidas. Não quero recorrer a tratamentos psiquiátricos. Quero ser artista, com dignidade e terminar o meu tempo de criar com dignidade. Quero que os cantores que se aproximam de mim sintam a bonança que e ser instrumento de arte. Eu amo a musica. Eu vivo a musica. Tudo e musica para mim. Sempre gostei de ensinar e aprender isso.
 Questionário
1.     Fizemos varias improvisações livres, só nos ou com convidados. Você se lembra de alguma? O que lhe chamou a atenção nela? Como foi sua participação? O que percebeu em relação aos demais?
2.     Com relação ao repertório desenvolvido, pode comentar?
3.     Com relação aos ensaios, pode comentar?
4.     Com relação as apresentações, pode comentar?
5.     Com relação a minha direção, pode comentar?
6.     Se você vai permanecer em 14, em que projeto deveríamos trabalhar?
Respostas

1 - A improvisação que lembro foi em um sábado na FAP onde estava nosso grupo de sempre e Camila junto com Jordana, sendo convidadas ou seja lá o termo usado, onde conhecemos a historia de vida, onde diziam se "vivem" da música ou não; a sessão que fizemos depois da conversa foi Sul Real ao meu sentir e ouvir, foi algo que perdi a noção do tempo, isso que chamou minha atenção, não tive uma participação como sempre busco participar das situações em minha vida buscando conduzir do meu modo ou realizar com perfeição pois é algo sem referência de um padrão, somente o contexto.

2 - Todas as peças desse ano, no inicio tive alguma dificuldade em aceitar e adotar, porém quando senti que estava soando bem a resistência sumiu naturalmente, não sou referência para opinar sobre repertório, tenho pouco conhecimento nesse sentido, porém as músicas como Los Mozos de Monleon, Dulcinea e Você vai me seguir são peças que sempre poderemos trabalhar buscando a perfeição de Som e Sentimento.

3 - Sempre nos ensaios tanto na segunda como no sábado saio revigorado na maioria das vezes, com a sensação de pós injeção de adrenalina que vem o relaxamento ou digo a sensação de cumprimento de uma etapa e inicio de uma próxima, nas segundas saio do ensaio e vou para o CEIC trabalhar no Passe e sábado saio para ensaiar no Coral do CEIC.

4 - Acredito que o número de apresentações foram boas, contando que no inicio dos ensaios na FAP sempre sentia que seria uma apresentação, deve ser pelo fato de sairmos de um ambiante totalmente amador ( UTP ) e iniciarmos um " convivio " em outro mais " Músical " ou " artistico " como a FAP nos passava, sendo uma barreira pela realidade do grupo e minha também. As gravações das apresentações seriam importantes ao meu ver para que sentíssemos nosso som da plateia e não somente o resultado de dentro do Grupo, para que nas proximas vezes tenhamos referencia de intensidade de voz, distancia e posicionamento do grupo como um todo, concentração antes da entrada em cena, coisa que no CEIC ajudou muito na minha rouquidão durante as apresentações.

5 – Sempre disposta ao trabalho e fazendo com que o grupo também desperte para isso. Voltar a informar ao cantante as falhas e ou inseguranças, isso induz ao melhoramento e a entendermos onde está pegando os erros, tem dias que precisamos disso como “iniciantes” que somos.

6 – Que venha 2014. Como informei no inicio não sou o mais indicado a opinar; mas poderíamos trabalhar com acordes, propriamente dito, onde montaríamos ideias com maior facilidade na cabeça eu acho que para as improvisações ajudaria o individuo a ficar mais seguro.
1 - Minha memória é bastante confusa, mas lembro que gostei de uma improvisação feita, se não me engano, no mesmo dia em que fizemos aqueles exercícios corporais de entrada e saída dos limites do palco. Achei interessante porque teve um momento em que foram suspensos todos os recursos que serviam de base à improvisação e o grupo conseguiu um resultado interessante sozinho, sem o apoio da nossa "mestra". Outra sessão que me chamou atenção foi a sessão na cantina da FAP. Minhas expectativas eram grandes, mas no dia pareceu que o som estava muito baixo e as pessoas muito contidas. Gostei de ouvir sonoridades diferentes, mas achei que o potencial dos grupos foi pouco explorado e ficamos presos a repetições. Como consequência dessa percepção global, minha participação também foi bastante contida.
2- Gosto do repertório; de viajar por diferentes línguas e sonoridades e ao mesmo tempo poder voltar pro aconchego da música brasileira.

3- Aah, os ensaios! Diferentes de qualquer outro que eu já tenha participado. Sinto-os como espaços de experimentação e descoberta, de livre desenvolvimento da percepção e expressão musical.

4- São ensaios abertos. Tomei um susto quando da primeira apresentação porque achava que as músicas não estavam ainda bem fechadas para apresentar, mas já adquiri a "cara-de-pau" necessária para ensaiar na frente da plateia e acho que isso pode dar (e deu) bons resultados...

5- Falar da direção é falar do grupo, da sua visível evolução, no sentido de aproximar-se cada vez mais de um grupo. Já teve vezes em que eu sentia que todos cantavam e ninguém se ouvia, como uma babel. A direção, aparentemente não diretiva, deixou a bagunça rolar solta, conduzindo o grupo sutilmente e sem pressa de chegar num resultado esperado. Pagou pra ver e, na minha opinião, está vendo um grupo que cresce a cada dia porque, na forma como é conduzido, aprende também a se conduzir.

6- Gostei tanto da ideia das furnas, que não acharia nada mal um projeto de acústica natural hehe. Pessoalmente, gostaria de explorar mais as regiões vocais (lembro que num dos ensaios a gente brincou de posicionar o som em diferentes lugares), mas isso não necessariamente precisa ser um projeto. Talvez seja o caso também de repensar o Mannaz e em vez de caçarmos a humanidade cantante, simplesmente levarmos nosso trabalho ao mundo, invadir o cotidiano quem sabe, e ver de que formas as pessoas "comuns" podem ser atraídas por ele. Apoio, por fim, que a Elza faça um solo, porque ela está mandando muito bem!


[1] Termo utilizado na doutrina espirita para definir um aparelho de leitura do campo psíquico de seres encarnados e desencarnados. Vide a obra de Francisco Candido Xavier

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Agradecimento

Foto
*foto de sara bello


Obrigada, Doriane Rossi, por tudo o que tem feito por mim. E já faz alguns anos. Muito bom trabalhar contigo!!!

domingo, 3 de novembro de 2013

Mais uma semana


 *google images

Vestibular.
Novas cabeças, novas vozes.
Mudanças. 

Dos já veteranos eu nada sei.
Tudo e como um carretel, que termina um dia, com uma ultima palavra.
E começa, quando lhe tiramos o invólucro de plástico.

Tem de haver engajamento e conexão. Guanxi.

Dos grupos vocais, sempre esperança.
De novas sessões, improvisações livres.
Com o pianista e a voz, o mundo.

Com o afeto, a fraternidade.

A voz e meu instrumento de trabalho, muitos sabem.
Sem ela ciganas, não pode ser.

As vezes alguns dão de ombros para mim.
As vezes alguns falam de belezas que tento esconder.

Minhas mãos de amor se estenderam na semana finda.
Meus braços acolheram na semana finda.
Minhas mãos postas receberam um fio de energia na semana finda.

Um abraço de luz. Ou mais de um. Na casa que acolhe e alimenta.

Muitos que fazeres da voz.

O Natal ja vem.

Quem sabe se inaugure um novo caminho. Para a mesma voz.

Que a semana se abra, como um botão de flor, para o bem da voz.

Que assim seja.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Terra Sonora

*caricatura de Claudia Gutierrez

Foram quatro dias densos, de 22 de outubro a hoje. Duas apresentações por dia. Alunos do SESI Portão assistindo ao trabalho (o trabalho foi feito lá), bem como professores da Rede Municipal de Ensino. Ao invés desse pessoal fazer permanência na escola, tinham que assistir a um dos 265 espetáculos espalhados por 45 pontos da cidade. Semana da Cultura, a Secretaria Municipal de Educação em conjunto com a FCC promoveram.
Muita energia despendida, para dar conta do trabalho acústico (sala muito boa a da escola, própria para musica de câmera), para manter a calma com o excesso de zum zum zum, de alguns alunos e muitos professores... muito sono, por acordar bem cedo e em horário de verão. Acho que e por isso que a Claudia nos desenhou de olhos fechados. Eu os tive assim 85% do espetáculo. Para manter o fio e o controle da voz, sujeita as intempéries do ciclo... sai-me 90% bem.
O desempenho do Terra sempre me surpreende. E muito bom tocar com eles. Gosto da autenticidade deles, da fragilidade deles, das descobertas, das bobagens que dizem, da dor silenciosa de alguns, mesclada com algumas gargalhadas. Do jeito como lidam com a minha fragilidade. E do jeito como transformam a musica num delicado parque de diversões, daqueles de cidade pequena. Gosto dessa gente, de suas esquisitices.
Recomendo, a todos que não conhecem, assistir-nos no Paço da Liberdade, Curitiba, no dia 1 de novembro de 2013 as 20h. Aos que conhecem, levem amigos. E uma viagem adorável pelos cinco continentes.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O testamento de Beethoven


*imagem e texto extraido do Wikisource

"Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantropo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas acções; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos. Iludido constantemente, na esperança de uma melhora, fui forçado a enfrentar a realidade da rebeldia desse mal, cuja cura, se não for de todo impossível, durará talvez anos! Nascido com um temperamento vivo e ardente, sensível mesmo às diversões da sociedade, vi-me obrigado a isolar-me numa vida solitária. Por vezes, quis colocar-me acima de tudo, mas fui então duramente repelido, ao renovar a triste experiência da minha surdez!
Como confessar esse defeito de um sentido que devia ser, em mim, mais perfeito que nos outros, de um sentido que, em tempos atrás, foi tão perfeito como poucos homens dedicados à mesma arte possuíam! Não me era contudo possível dizer aos homens: “Falai mais alto, gritai, pois eu estou surdo”. Perdoai-me se me vedes afastar-me de vós! Minha desgraça é duplamente penosa, pois além do mais faz com que eu seja mal julgado. Para mim, já não há encanto na reunião dos homens, nem nas palestras elevadas, nem nos desabafos íntimos. Só a mais estrita necessidade me arrasta à sociedade. Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava!
Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou! Pareceu-me impossível deixar o mundo antes de haver produzido tudo o que eu sentia me haver sido confiado, e assim prolonguei esta vida infeliz. Paciência é só o que aspiro até que as parcas inclementes cortem o fio de minha triste vida. Melhorarei, talvez, e talvez não! Mas terei coragem. Na minha idade, já obrigado a filosofar, não é fácil, e mais penoso ainda se torna para o artista. Meu Deus, sobre mim deita o Teu olhar! Ó homens! Se vos cair isto um dia debaixo dos olhos, vereis que me julgaste mal! O infeliz consola-se quando encontra uma desgraça igual à sua. Tudo fiz para merecer um lugar entre os artistas e entre os homens de bem.
Peço-vos, meus irmãos (Karl e Johann) assim que eu fechar os olhos, se o professor Schimith ainda for vivo, fazer-lhe em meu nome o pedido de descrever a minha moléstia e juntai a isto que aqui escrevo para que o mundo, depois de minha morte, se reconcilie comigo. Declaro-vos ambos herdeiros de minha pequena fortuna. Reparti-a honestamente e ajudai-vos um ao outro. O que contra mim fizestes, há muito, bem sabeis, já vos perdoei. A ti, Karl, agradeço as provas que me deste ultimamente. Meu desejo é que seja a tua vida menos dura que a minha. Recomendai a vossos filhos a virtude. Só ela poderá dar a felicidade, não o dinheiro, digo-vos por experiência própria. Só a virtude me levantou de minha miséria. Só a ela e à minha arte devo não ter terminado em suicídio os meus pobres dias. Adeus e conservai-me vossa amizade.
Minha gratidão a todos os meus amigos. Sentir-me-ei feliz debaixo da terra se ainda vos puder valer. Recebo com felicidade a morte. Se ela vier antes que realize tudo o que me concede minha capacidade artística, apesar do meu destino, virá cedo demais e eu a desejaria mais tarde. Entretanto, sentir-me-ei contente pois ela me libertará de um tormento sem fim. Venha quando quiser, e eu corajosamente a enfrentarei.
Adeus e não vos esqueçais inteiramente de mim na eternidade. Bem o mereço de vós, pois muitas vezes, em vida, preocupei-me convosco, procurando dar-vos a felicidade.
Sede felizes!
Helligenstadt, 6 de Outubro de 1802.
Ludwig van Beethoven."

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

As ideias

*descobrir Portugal Capela de São Leonardo de Galafura

em que você baseia suas composições?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A semana



*google images



Começou a chover e eu pergunto "com que roupa eu vou".
Sem cama, sem diamante, sem entender nada de nada.
Tem sido bom observar alguns grupos e atores sociais cantando na semana que passa.
Primeiro as senhorinhas da APP Sindicato, umas lindas, com suas vozes ternas.
O grupo delas fez 30 anos no dia 15.
Aqui e o naipe das sopranos, não sei de quem e a foto, alguém da associação tirou...
Tem mulheres cantando há trinta anos lá.


Ai eu  fui rever minha performance junto a Dona Sira, corrigir finais de frase e notas sustentadas.
Logo após fui tossir no ensaio do Terra Sonora, arrasada por ter pisado num coco bem fedido que emporcalhou o ambiente e me obrigou a finalmente me desfazer do único sapato que uso.
Mais tarde, o exercício com novas parcerias não escolhidas por mim, aliar Lian Gong com canto e tentar convencer a um grupo promissor que vale a pena cantar em publico, nem sei por que ando falando isso...

Próximo passo, como quem tira o "coelho da cartola", propor a realização de show grátis para publico no mínimo cheio de marra e de tudo saber, que assiste ao outro de braços cruzados, esperando o colega "se ferrar". Tudo isso numa tentativa de dar sentido a um novo ano letivo um tanto caduco.
Em seguida a briga de foice no grupo "Canções de Ar" e nem vou comentar isso.
Mais tarde, os futuros atores sobre os xilofones e uma assembleia estudantil citando Brecht, dialética ou qualquer coisa assim.
Então a princesa linda, futura ex-atriz, cabelos longos, cacheados, que veio me contar "tenho uma doença degenerativa, todos os meus movimentos corporais cessarão em um ano e eu não podia vir pra sua aula, você e o meu retrato agora..."
Depois o "sound painting" do Ricardo, outro futuro ator-diretor teatral.

Então os homens, a ciranda, as palmas, "esfregas", a pelve árabe,  o intervalo de quarta, de quinta, a retomada, o 54321, o gospel, o Renato Russo, a Madonna, a Elis e o pessoal a pontuar "você precisa melhorar a respiração"... onde, como e por que só eles sabem... falei de trabalho, pra alguns já se avizinha no horizonte o trajeto a percorrer, para outros e busca do inimigo interno.

Venho para casa no fim do dia, Deus resplandece ao por-do-sol e eu me embrenho nessa rede... um amigo, ator global no Rio de Janeiro, usou um termo pra ela que não lembro agora...
Vou revendo todo trajeto de ação pedagogico-artistica  e penso no que me espera amanhã. Tina Turner...
No condomínio, por sorte só ouço conversas e sinto cheiro de churrasco, feito naquelas churrasqueirinhas de americano... musica não se ouve por aqui, a não ser o teclado da chuva - ah, um ou outro ribondar de baixo em uma caixa de amplificação distante...
Deixei, na semana que vai, alguns cantores a ver navios, fiquei muito triste por ser um espelho quebrado e não tinha desejo de cantar depois da noticia... então me veio o gospel, e antevi a possibilidade de qualquer cantor aceitar sua sina de feiticeiro, xamã, druida, bardo e jornaleiro, senão jornalista.
Continuar a trabalhar, esse e o único movimento a fazer no momento.
A responsabilidade canta para mim.
Que me venha o ultimo dia desta semana, com a bênção dos guias espirituais.
Evoe.

Sarvesham Shantir bhavatu
Sarvesham Purnam bhavatu
Sarvesham Mangalam bhavatu.
Om - Puede ser auspicioso para con todos.
Que la paz sea con todos.
Que la plenitud sea con todos.
Que la prosperidad sea con todos

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Uma mistura de movimento e satisfação

*foto de Ari Almeida, do dia 5 de outubro de 2013 na FEP, Curitiba - Pr - Brasil, ao lado do pianista Davi Sartori


Olha o que o corpo em movimento pode expressar...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Um pouquinho de trabalho, para quem curte trabalhar:

*google images

Hoje sonhei com algo importante para mim. Eu caminhava. Com minha ortese e bengalas, mas ereta, delicadamente equilibrando o peso entre braços e pernas, trabalho dificílimo para o meu eixo angular em S. Eu caminhava por uma rua envelhecida aqui de Curitiba, ou similar. Rua de paralelepípedos, cheia de depressões e saliências. Eu caminhava firme, decidida, olhando a frente, indo adiante sem parar, no mesmo ritmo. Caminhava em direção a um espaço, ensaio provavelmente. Um pouco antes de despertar, o caminho parecia aumentar conforme eu avançava. Fiquei com medo de não chegar. Não dar conta. Parei. Quase sorrindo como se entendesse onde falhara o meu caráter.
Ha pouco, pesquisando, encontrei esse profissional, me dando a mão e dizendo: continue a caminhar -

**dharmalog- copiei a entrevista de 17 de janeiro de 2012, jornal  La Vanguardia - Espanha - El eneagrama de la sociedad. Males del Mundo. Males del Alma.

”Ocúpate del reino del corazón, y lo demás te llegará“. Claudio Naranjo

Qué es el eneagrama?

Una herramienta de autoconocimiento, la más completa.

 ¿En qué consiste?

Es un mapa de las nueve pasiones que conforman tu personalidad: te ayuda a conocerlas, y así identificar cuál de ellas te domina.

¿Cuáles son esas nueve pasiones?

Ira, orgullo, vanidad, envidia, avaricia, cobardía, gula, lujuria y pereza.

Suenan a los pecados capitales.

Los griegos ya enumeraron casi todas esas pasiones, llamadas luego pecados por el cristianismo, y que son a su vez los nueve eneatipos del eneagrama.

¿Y una de esas pasiones me domina?

Siempre hay una dominante sobre las demás: identifica cuál es la tuya, y así podrás trabajarte para equilibrarla con las demás.

¿Con qué fin?

Dejar de actuar reactivamente, con automatismos, como una máquina: ante cada situación serás capaz de actuar con conciencia.

¿Cuál es su pasión dominante?

La avaricia.

¿Sí?

He temido siempre quedarme sin nada: temeroso de la precariedad de mis recursos, me ha costado invertir en mis capacidades, he desconfiado de mí... Y eso me ha dejado en el filo del vivir, una vida por vivir.

¿No ha podido dominar esa avaricia?

Ya sí, pero ha sido difícil. Ya lo dijo Churchill: "El hombre se tropieza con la verdad..., pero se levanta y sigue su camino".

¿De dónde proviene el eneagrama?

De un esoterismo cristiano de Asia Central, que divulgó por Europa una especie de Sócrates ruso de principios del siglo XX, Gurdjieff. Y de él lo aprendió Óscar Ichazo, que me lo enseñó en el desierto de Arica.

¿Cómo fue usted a parar al desierto?

Era 1970, y yo pasaba el peor momento de mi vida... Y me retiré durante seis meses.

¿Qué le había sucedido?

Mi segunda esposa tuvo un accidente de automóvil y murió mi hijo de once años.

Sobreponerse debió de ser duro...

Yo tenía 37 años y me tendía en su camita y pasaba horas y horas llorando. Un día entendí que era llanto por lo que no había podido quererle. Sentí su presencia y dejé de llorar.

¿Y qué aprendió en el desierto?

Yo era médico psiquiatra. Vi que la medicina farmacológica abordaba síntomas, pero no la raíz del problema del paciente: la dejé para ejercer como psicoterapeuta.

¿Es muy malo que mande una pasión?

Lo malo es que en ese caso tu vida será más pequeña, automatizada, dilapidarás energías..., pudiendo vivir más plenamente.

¿Qué automatismo le hizo ser médico?

A los seis años vi la luna llena y le pregunté a mi madre qué era eso. Me dijo que era un cuerpo celeste, como lo eran las estrellas, los planetas..., y me habló de la gravedad... y experimenté un intenso placer ante ese vislumbre de conocimiento... Y ya busqué repetir ese gozo, y eso me llevó a la ciencia.

Pero luego dejó la ciencia.

Cuando sentí que la filosofía y la psicología afrontaban mejor el dolor de la infelicidad.

¿Cuál ha sido su momento más feliz?

A los 20 años tuve una relación erótica con una conocida de 40 años, y sentí tanta alegría... ¡El mundo era bello! Sentí la alegría normal del vivir, y ahí fui consciente de que yo no había estado vivo hasta entonces.

¿Ha llegado a conocerse perfectamente a sí mismo?

En el centro de la cebolla, si vas quitando capas y capas, no hay semilla, ¡no hay nada!

¿Qué significa esto?

Que lo único que hay son los demás. Antes yo me recluía en mi torre de marfil, pero hoy veo los problemas del mundo...

¿Cuáles son?

Todos derivan de una estructura patriarcal profunda, de modo que todos se diluirían si educásemos a los niños de otra manera.

¿Cómo, exactamente?

Integrando intelecto, cuerpo, emociones y espíritu, para ser más amorosos, más libres: más sabios. Pero para eso es decisivo primero que eduquemos a los educadores.

¿Tenemos una educación no amorosa?

Demasiado intelectual, institucional, individualista, patriarcal y poco humanística. Nuestra sociedad sigue siendo machista y depredadora. Ya decía Cicerón: "Cada senador es sabio..., pero el Senado es un idiota".

¿Solución?

Integrar intelecto, amor e instinto, nuestros tres cerebros. Abrazarlos a los tres de verdad: por ahora, el intelecto ha eclipsado el amor y ha demonizado el instinto.

¿Debo dejarme llevar por mi instinto?

Si te arrastra, no eres libre: se trata de aliarte con tu instinto.

¿Qué pasión domina hoy al mundo?

La vanidad. Se expresa en la pulsión por el éxito económico, la supremacía tecnológica, la confusión entre valor y precio...

¿Hacia dónde se encamina el mundo?

Muchos son los llamados..., pero muchos son también los sordos. Hay una pulsión de transformación cierta, pero pasa por encender la luz y ver en tu propia oscuridad.

Y si lograse encenderla, ¿qué veré?

Sabrás que todo es pulsátil, que todo late... Si buscas el yo, acabarás topándote con la ausencia de yo: lo transformador es sentir el ser. Si eso sucede, tendrás días peores o mejores..., pero recordarás el sabor del ser.

¿Un consejo definitivo?

Ocúpate del reino del corazón, y el resto te llegará por añadidura.

Eneagrama social

Es un señor plácido de cándidas barbas y verbo cálido que ha dedicado su vida a estudiar la anatomía de la psique. Eso lo llevó a ser el pionero de la integración psicoespiritual mediante el Instituto SAT, que aplica el eneagrama para profundizar en el autoconocimiento de la personalidad. Lo que, a su vez, le ha llevado a promover una educación transformadora desde la Fundación Claudio Naranjo (fundacionclaudionaranjo.com), con propuestas convergentes con las que formula el filósofo y profesor José Antonio Marina. También publica libros como El eneagrama de la sociedad.Males del mundo, males del alma (La Llave) y da charlas (como este jueves en Granollers: www.espaipertu.com).

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Pleno e vazio


*11 eleven

canta a beleza


do i ching:
A lei do céu esvazia o que está pleno e preenche o vazio; de acordo com a lei do céu, quando o sol alcança o zênite, inicia seu declínio, e quando chega ao nadir, ascende outra vez rumo a um novo amanhecer. De acordo com a mesma lei, quando a lua está cheia, começa o minguante, e na lua nova reinicia-se o crescente. Essa lei celeste atua também no destino dos homens. A lei da terra consiste em alterar o que é pleno e fluir em direção ao que é modesto; assim, as altas montanhas são aplainadas pelas águas e os vales são preenchidos. A lei do poder do destino corrói o que está pleno e faz prosperar o que é modesto. Os homens também odeiam o que é cheio de si e amam o que é modesto. O destino dos homens segue leis imutáveis que têm de ser cumpridas. Mas o homem tem o poder de moldar seu destino, na medida em que sua conduta o expõe à influência de forças benéficas ou destrutivas. Quando um homem está em posição elevada e é modesto, ele brilha com a luz da sabedoria. Quando ele está numa posição inferior e é modesto, não pode ser ignorado. Assim o homem superior leva seu trabalho à conclusão sem vangloriar-se daquilo que conseguiu.