segunda-feira, 19 de maio de 2014

Núcleo Fundador




No trabalho de mestrado concluído em 2010 - você já pode encontrá-lo online ou na biblioteca da UFPR*, falei sobre as relações humanas existentes numa comunidade de prática musical. Especificamente um coral. Como li bastante meu trabalho essa semana, para finalmente colocá-lo nas mãos dos acadêmicos, lembrei do Núcleo Fundador, aquele grupo de pessoas que não é o regente, nem coordenador, mas cantantes, cantantes que permitem que o coro permaneça inteiro ou  desmorone. É um grupo de pessoas com certa vibração, pioneiros, os que lançaram a pedra fundamental, os que ergueram as primeiras barracas, roçaram o espaço, plantaram o primeiro canteiro, trouxeram o primeiro leite e fizeram o primeiro fogo. É um grupo restrito, com certo impacto sobre as demais pessoas - veteranos e novatos e regente - que faz os outros tremerem, que diz "não" na cara dura...  tão forte é a vibraçao pessoal dessa gente, que quando um ameaça sair da posição, a casa cai... É bom que outros participantes periféricos tenham oportunidade, a seu tempo, de passar ao núcleo, mas isso é quase impossível. O Núcleo Fundador é o Uróboro, o fim e o começo de ciclo. Quando o último se for, quiçá alguém tenha criado uma vibração capaz de gerar o novo, quem sabe...
Fica aí meu estudo, para voces pensarem e usarem, para o bem comum. Uma força dessas, gerada pelo Núcleo Fundador, é um presente. Poder confraternizar, quando nos encontramos, é dádiva dificílima de se conseguir, porque não somos família, somos outro tipo de congregação.
Abraços a todos que possuem seus Núcleos Fundadores.


*

Catalogação na publicação
Fernanda Emanoéla Nogueira – CRB 9/1607
Biblioteca de Ciências Humanas e Educação - UFPR

 
               Guariente, Liane Cristina
                    Comunidade de prática musical : um estudo sobre um grupo coral em Curitiba  /  Liane Cristina Guariente  –  Curitiba, 2010.
                    124 f.

                    Orientadora: Profª. Drª. Rosane Cardoso de Araújo
                           Dissertação (Mestrado em Musica) – Setor de Ciências, Letras  e Artes  da Universidade Federal do Paraná.

                    1. Canto coral. 2. Coros (Música) - Curitiba-PR. 3. Música - Instrução e ensino. 4. Música e sociedade. I.Título.                      
                                                                         
                                                                                    
                                                                               CDD 782.5
                                                                         

sexta-feira, 2 de maio de 2014

TÓPICOS SOBRE VOZ CANTADA: “INSTRUMENTO INVISÍVEL”

*ALTOS, DO CORAL DO CEIC


Quais os critérios que o cantante precisa considerar para avançar vocalmente:


Consciência técnico-vocal – o orientador vocal pode ser um facilitador (ou dificultador, se não houver empatia entre ele e o cantante) dos seguintes procedimentos:

Conhecer seus procedimentos respiratórios (para as diferentes atividades físicas que exerce)
Reorganizar a postura corporal
Conhecer seus locais de ressonância vocal
Conhecer sua extensão vocal
Conhecer sua tessitura vocal
Conhecer sua região de conforto vocal
Conhecer seus limites vocais
Conhecer as regiões de quebra
Conhecer os locais favoráveis de articulação de cada fonema
Querer superar-se vocalmente
Conhecer sua maleabilidade para cantar
Observar sua expressividade vocal (quanto de imaginação possui e quanto consegue empregar desse exercício em sua execução vocal)
Cuidar da apatia, uma “certa anestesia” que acompanha alguns cantantes, indiferentes e distantes do que estão produzindo enquanto cantam (como se o canto fosse um milagre, como se surgisse espontaneamente, “dos céus”, como se “caísse no colo de alguns").
Pensar no canto como um ‘produto’, não desses que se vendem em camelô.
Dar um sentido específico ao que canta (do mesmo modo que se esforça para dar sentido ao que diz numa discussão, numa argumentação, quando precisa convencer alguém).
Envolver-se emocional e afetivamente com o próprio canto.
Afinação responde a padrões culturais. Utilizamos o padrão centro-europeu de afinar. Precisamos conhecer à perfeição esse padrão (conhecer cada tom, cada intervalo, cada escala, grupeto, motivo, partes da frase, o tema como um todo, pelo menos o padrão 440hz).
Outros padrões, de outras culturas, são dinamicamente enriquecedores do conhecimento vocal, realimentam as sensibilidades ao próprio canto.
Todos estes procedimentos devem estar a serviço da peça que se está cantando. Por isso:
Conhecer profundamente a peça, em detalhes – rítmica, melódica, harmônica, agógica, dinâmica, por audição e, se possível, por alfabetização musical.
Considerar que bloqueios psíquicos podem impedir os avanços que se esperam da voz. E que talvez seja necessário tratar tais bloqueios em processos terapêuticos.
Considerar que é necessário educar o ouvido, ensina-lo a perceber o todo, as nuances, sutilezas, a ouvir em planos. Ouvimos por via interna e externa. O som vocal é conduzido ao meio externo até o conduto auditivo. Nós o sentimos por meio dos ossos (especialmente do pescoço e cabeça). A voz se propaga no ambiente e retorna ao ouvido, para ser processada pelo cérebro, onde ganha sentido. Este processo, do “mundo da forma”, pode ser mediado pelo orientador, que informa ao cantante a qualidade do som que está captando, é capaz de descrever o som produzido pelo cantante, procura ajudar o aluno na localização de suas sensações. Porém, o trabalho do cantante é de autoanalise, autocontrole e autogestão. Que “conteúdo” eu tenho para oferecer a esta “forma”?
Considerar que é preciso lidar com sensações corporais enquanto se canta – executar o canto pelo tato (percebendo onde é preciso firmar, onde relaxa, o que abre, o que suspende, quantidades – de ar, de vibração do som).
Conhecer sua destreza em aprender.
Conhecer e desenvolver memória de canções.
Conhecer a função de sua voz quando participante de agrupamento vocal.
Quando estamos atrás de resultados, podemos estar raciocinando de forma tecnicista, reducionista.
Existem singularidades pessoais que tem de ser levadas em conta, primeiro pelo próprio cantante para a maturação da consciência técnico-vocal.



quarta-feira, 9 de abril de 2014

GEBO-MANNAZ, embriões, evidências iniciais




A pesquisa:

GEBO-MANNAZ
Evolução pessoal e canto: acertos e desafios na aplicação de técnicas de improvisação musical livre.

Grupos envolvidos-

Coral APP-Sindicato,
Coral do CEIC,
Grupo Vocal da UTP,
GMPB da UFPR,
Zaferan,
Grupo Folclórico Luce dell Anima,
Dal a dal.

Um grupo cover, ao qual atendo esporadicamente
Um quinteto feminino de música raiz brasileira

fev-mar-abril 2014 - técnicas de improvisação musical livre envolvendo suportes tais com:

1. Canção tema - Mutum, Aquarela do Brasil, Canto do povo de algum lugar, Samba da Benção, Lullabies, Ninetta, Mamãe Oxum.

2. Plano de fundo - bordões, ostinatos, motivos; primeiro plano fluido.

3. Definição de naipes e parcerias

4. Utilização de instrumentos musicais - precussão

Oportunidades de exposição pública:

16ª Conferencia Estadual Espírita - trabalho apresentado por Fabio Cardoso e Liane Guariente
Apresentações livres do Grupo Vocal da UTP (31 de março, 18e30) - Bloco da Música - FAP
e Dal a dal (3 de abril, 17e20) - Bloco da Música - FAP

Aplicação de improvisações livres em quase todos os ensaios de todos os grupos.

Primeiros dados -

Resistências e abandono da atividade em todos os grupos, exceto no GMPB (embora tenha sofrido, ele também, novos ajustes - entrada e saída de participantes. No caso dele, a renovação do plantel foi benéfica até o momento. O show do primeiro semestre já tem roteiro e cinco peças históricas da música popular brasileira praticamente montadas a seis vozes, com solos e textos par cour. A condição de ter boa experiência com canto é uma marca diferencial no grupo. É o grupo que possui melhor infraestrutura e equipe. A impressão de que este é o aspecto mais importante do processo é fortíssima. Ênfase, para este grupo, à prática com escalas cromáticas ascendentes e descendentes. Busca de diferenciais tímbricos para cada tema a ser executado. Autonomia para dar respostas e não somente produzir ecos nos exercícios específicos (todos eles visando dificuldades observadas durante as leituras (que estão sendo feitas - com todos sentados, partituras na mão, anotações, entre mar e abr). Flexão, alongamento e movimento como apoio do som vocal, como continuação do som vocal, como reforço do som vocal, como facilitador do som vocal sempre envolvidos no processo. Diferença de comportamento entre uma prática e outra - reforçar os períodos de descanso). Os problemas humanos passam ao largo do processo.O foco é o novo show. As exigências de pontualidade, assiduidade de prontidão são contumazes. Detalhe curioso: o regente tem um piano de correpetição que fica voltado para os cantores e sempre é tocado por ele em pontos estratégicos de cada arranjo. O pianista do grupo não atua especificamente como correpetidor, mas como músico. Simultaneamente ao trabalho de correpetição, o pianista cria em tempo real os arranjos para piano, acompanhando o grupo de frente para o regente, que lhe pode dar instruções. O preparador vocal (eu) fica ao lado do regente, de frente para os cantores, pontuando vez por outra alguma necessidade técnica emergente e participando dos experimentos (dinâmicas) propostos pelo regente.

A sonoridade do APP-Sindicato surpreende.

Reformulações e redefinição das normativas no Coral do CEIC (dois temas novos lidos até o momento, necessidade de diversidades técnicas para repertórios específicos - mais de trinta temas para serem revistos em 2014. Falta delimitar os temas (para que ocasião serão usados, bem como urgência nos estudos - o que vejo melhor conduzido no GMPB).

Ainda não serão observados neste momento dados com o grupo folclórico, onde o trabalho navega em torno de buscar novos timbres (um timbre vêneto para os descendentes de italianos na comunidade), afinação e definição dos naipes. São oito anos de história do grupo sendo reformulados. Há que se esperar. Algumas improvisações foram realizadas com o grupo, utilizando como base um tema tradicional da Sardenha, um canto de alvorada (toscano?). A prova é incluir arranjos vocais (criados durante os ensaios) para o tema vêneto - Ninetta.

Nos demais grupos, há inúmeras variáveis a considerar, dentre elas:

Não se trata de grupos permanentes, engajados por propósitos comuns.
Um deles é curricular
Um deles tem cantores quase profissionais
Não há espaço físico específico para o grupo
Não há trabalho de produção ou equipe de apoio
São, dois deles, grupos com pouco tempo de duração

O fato de preparar vozes em cada um predispõe aos cantantes criar coletivamente, quando estão disponíveis para tanto. A música, para alguns é o Herói e o Algoz. Ao primeiro sinal de perigo, debandada. Não são pessoas rasas as que se reuniram nestes grupos. Nem fracas, de caráter questionável. Nem incapazes de entrega. O potencial se encontra neles, maior ou menor. Simplicidade. Passo a Passo. Estes seriam os objetivos gerais do processo, mesmo nas aulas curriculares (Canto Solista II 2014 - FAP). Há vários níveis de maturidade vocal entre os participantes, todos aptos a cantar se assim persistirem.  Num primeiro momento, mínimas possibilidades de sucesso para a empreitada. A possibilidade de entrar com ideias, criar produtos, torna os participantes (teoricamente os sem preparo para cantar), frágílimos nas ações. Sem prazos ou exigências, a sensação primeira é de fracasso, falta de motivação.

Evidenciação dos SIS - objetivos individuais apoiados pelo coletivo?
Individual X coletivo?

A medida em que transcorrerem os próximos movimentos, desenvolverei as ideias embriões deste artigo. Obrigada por nos acompanhar durante a pedregosa jornada.




sábado, 29 de março de 2014

História do corpo



Àqueles que tem disponibilidade, pensar sobre a história do nosso corpo, das dualidades criadas em torno dele, corpo ocidental... as expressões: o templo do espírito, o templo da perdição, o templo do pecado, o cárcere, a punição, o prêmio, a pulsão, a paixão, o corpo nave, o corpo envoltório, o corpo matéria, o corpo do Cristo, o Rei Solar, os santos, a burca, o estupro, a bala, o gerar, os obeliscos e arranha-céus, as pátrias fálicas, a pacha mama... o lindo espetáculo do corpo, a podridão do corpo, o corpo desnudo de si, o corpo vestido de nós, o corpo que veio do pó, o corpo que volta ao pó... e esse Corpo fez história, e foi sendo moldado de acordo com nossas culturas.Quantos, no corpo, recusam-se a viver. Houve, sempre, uma busca coletiva para domá-lo, restringí-lo, educá-lo. Uma luta constante entre repressão e liberdade, entre adoecê-lo e torná-lo são. Limpo. Limpo de acordo com a posição hierárquica do corpo. Àqueles que curtem vulcões, estabelecer comparações. E quando este corpo se faz voz, ou seja, EXPRESSA. O que será que acontece? Jóia ou Eu te amo são as palavras sociais, culturais, ou a expressão de Caetano e Chico. Estou procurando uma ruptura através dessas expressões deles. Quero encontrar a expressão de cada um e de todos. Porque ainda há a questão das crenças, e acredito que não estamos juntos (por hora) por acaso, neri per caso... estou atrás de outra música vocal... volto-me para o passado, o remoto, para os alquimistas, para a negação deles, para todas as significações que tomou o sensível nesse percurso, acompanhado primeiro pela lógica mecânica, depois pela lógica energética, então pela lógica informacional... e faz um tempinho, a espiritualidade e o sensível voltaram à pauta... a astronomia tratando de encabeçar os caminhos des humanos - E o CORPO como musa inspiradora... enquanto isso, nosso "enfrentamento" do corpo prossegue. Alguns de nós ainda sofrem com o seu, debatem-se com o sentido do movimento, da respiração, do som vocal... obrigada por alguns de vocês, que partilham essas dúvidas comigo...

quinta-feira, 6 de março de 2014

Preparação vocal socorrista, ideia nascente





Boa noite.
São mais de trinta anos convivendo com pessoas que cantam, profissionais e leigos (a maioria dos convivas). Desses encontros surgiram muitas ideias, dentre elas fazer um trabalho socorrista (e hoje há cursos especializados de ótima qualidade nessa área - Arteterapia, Musicoterapia e outros espaços na Medicina, Psiquiatria, Homeopatia e tantas correntes).
Ao escrevermos este post, não tínhamos a intenção de anunciar uma técnica, escola. Apenas registrar um dos momentos que vivemos, dentro dos liames do ensino acadêmico. Àqueles cujo assunto remeter a outras pesquisas, experimentações e atuações melhor conceituadas, agradecemos antecipadamente links, comentários e outras direções.
Tomamos, como recurso para realizar a presente preparação vocal socorrista, a improvisação.
Em uma improvisação vocal, muitas práticas vão emergindo com naturalidade: o cantor leigo vai se habituando à escuta do timbre e variações, sente a estabilidade das vibrações, controla a duração dos tons, combina-os criativamente e permite-se expressar ideias espontâneas e ao mesmo tempo raciocinadas; os embaraços orgânicos apresentam-se em proporções tangíveis nas células rítmicas e melódicas, para serem soçobrados na medida da propriocepção – trabalhamos para equilibrar tais perdas; os movimentos psíquicos antecedem essa percepção, revelando-se em esboços ou mesmo temas musicais consolidados, que podem ser analisados durante e após o experimento (que resolvemos, a partir do segundo semestre de 2016, gravar e postar no Youtube).
O trabalho individual – esperado no processo, se torna mais promissor quando outras pessoas partilham a experiência em tempo real. A improvisação vocal em conjunto é base, então, para estudos em casa. A escuta imparcial do outro, a possibilidade de análise e síntese de tais estímulos, enquadrando-os à própria produção envolve refinamento, aproximação, entendimento, distanciamento, esperas, renúncias. Em um primeiro momento, as vibrações combinadas devem atender lacunas humanas – limitações técnicas como dificuldades de afinação, de estabelecer pulso, figura e fundo em música, domínio de tons, intervalos musicais, arpejos, formação de acordes, uso de escalas, domínio de formas e gêneros musicais, de rupturas com a forma, porém atenção ao conteúdo delas.
Cada experiência leva, em média, trinta minutos. Duas improvisações por sessão são suficientes. O ponto de partida pode ser um bordão com lábios fechados, acrescentando-se ao bordão grupetos com vogais e sílabas. Silêncios e variações de dinâmica são vitais no processo. O trabalho pode ser realizado com as pessoas sentadas, de preferência em círculo.
Como o sentido do tato evidencia a aproximação, prescrevemos na presente sessão a técnica do jin shin jyutsu, conhecida como arte de liberação das tensões. A nutrição celular (e a abertura dos campos sutis, dos centros de criação) depende do desbloqueio das zonas de energia estagnada, viabilizando, dentre outras coisas, o fluxo criativo.
Um dos participantes toma a mão do outro e segura um dedo por vez, com seus dedos fechados sobre ele com leve pressão, por alguns instantes. Para uma compreensão básica, cada dedo concentra um estado psíquico – preferimos, nesta abordagem, apontar aspectos positivos relacionados ao toque – 1- interesse, equilíbrio da primeira profundidade; superfície da pele, recepção e processamento dos alimentos – estomago e baço (polegar); equilíbrio da segunda profundidade; derme; alento da vida – pulmões e intestino (anular); equilíbrio da terceira profundidade, essência do sangue; fígado e vesícula biliar (médio); equilíbrio da quarta profundidade; sistema muscular, circulação sanguínea; rins e bexiga (indicador); sistema esquelético, intuição; coração e intestino delgado (mínimo); o centro da mão é tocado por três dedos – fonte da vida, diafragma e plexo solar.
Na aplicação da técnica, acrescentamos a emissão contínua de um tom, produzida pelos participantes e modificada a cada troca de toque; esse tom é produzido com os fonemas M, N e L.
O plano de fundo, formado pelas harmonia dos tons sustentados sugere a expressão de canções já conhecidas e pertencentes à história de vida de cada cantante ou mesmo a criação de versos, quadras, glosas.

Na sessão seguinte, sugerimos iniciar os trabalhos com a escuta da gravação e análise do material – pontos positivos, técnicas vocais, aprimoramento da execução, antes do início da próxima improvisação.













quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

EXERCÍCIOS RESPIRATORIOS 2



  




1 – Deite-se confortável, costas alinhadas no chão. Joelhos dobrados. Pés separados um do outro na linha do quadril. Braços abertos na altura dos ombros, palmas das mãos voltadas para cima. Corrija a posição da cabeça, para que o queixo se aproxime do esterno o mais possível (assim você alinha sua laringe e músculos do pescoço). Dobre lentamente os dedos da mão direita de encontro a palma, as falanges de encontro ao punho, o punho de encontro ao cotovelo, estenda os dedos sobre o braço, role o antebraço por sobre as clavículas, ombro esquerdo, braço esquerdo, antebraço esquerdo ate tocar a mão esquerda. Faça o caminho de volta. Repita o processo com a mão esquerda. Repita o exercício 3 vezes, lento, sempre percebendo profundamente o contato com o chão.    
2 – Vire-se de lado. Inspire abrindo o corpo para trás, em forma de cunha. Expire retornando a posição de feto. Repita o gesto 3 vezes. Inverta o lado e repita o exercício 3 vezes.
3 – Use as mãos, cotovelos, joelhos para apoiar e dar sustentação a ação de ficar em pé. Separe os pés a 25cm um do outro, com os primeiros artelhos corrigindo a postura dos pés para dentro (a postura não fica torta). Flexione um pouco os joelhos, braços ao lado do corpo. Fique nessa posição ate que as pernas tremam. Aguente o máximo que puder. Então relaxe a tensão das pernas. Cuide todo tempo para que as costas fiquem alinhadas. Use a força da gravidade como referencia. Mantenha o olhar na altura dos olhos, sem que ele queira reter a paisagem a frente, mas que o ambiente venha à retina. Relaxe as expressões da face. Quando a fala mental vier distrai-lo(a), sopre o pensamento para longe.
4 – Caminhe pela sala, um passo, depois outro, depois outro, sem fazer outra coisa senão cuidar da eficácia do movimento. Se houver no ambiente obstáculos para transpor, escadas, cadeiras, use estes objetos para incrementar o passo. Caminhe por cinco minutos. Depois 10, depois 20min, ate completar uma hora de caminhada.
5 – Deite-se, costas alinhadas com o chão, pés separados, joelhos encostados, braços ao longo do corpo. Seu pensamento estimulará o pulso respiratório com as palavra INSPIRANDO EXPIRANDO. Permaneça algum tempo nesse movimento. Troque as palavras para PROFUNDO LENTO. Depois, controle os movimentos: insp lenta, exp lenta, insp  rápida, exp rápida, insp rapira exp lenta, insp rápida exp rápida. O exercício é feito primeiro com entrada do ar pelo nariz. Em outro dia, a inspiração controlada pela boca.

Vale experimentar pausas de dois a três pulsos depois da cada inspiração e cincos pulsos depois da expiração. Isso permite aos músculos  relaxarem, facilita a entrada e saída de ar e harmoniza os movimentos.


Para alimentar a imaginação, recomendo as leituras: 

Adeus, China - Li Cunxin

As filhas de Rashi - Maggie Anton

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

EXERCÍCIOS RESPIRATÓRIOS




Sequencia 1
1:
Escolha e disponha um lugar especifico para seus estudos, ventilado e claro, com poucos objetos, com tapete ou tatame, aquecedor para dias frios, espelho se lhe agradar. Um aparelho que toque musica ambiente será bem vindo.
Trabalhe descalço, com roupas confortáveis.
2:
Caminhe pelo local de estudos, olhando adiante, na linha dos olhos. Sinta seu passo natural, corrija a forma de uso das plantas dos pés. Imagine uma mão amiga apoiando o centro da sua coluna e estimulando suas passadas. Ganhe velocidade naturalmente. Inverta o sentido do passo (trás, frente, lado, peso maior em uma das pernas, variando o peso na planta dos pés). Permita que seu corpo deslize pelo espaço, ancorado em seu tempo individual. Perceba que tempo e esse (onde estou, quem sou, como me sinto aqui e agora). Complete os espaços vazios do local de estudos com seu corpo, ocupe espaços, o maior e o menor. Procure evitar qualquer distração do foco, que é caminhar. Aos poucos, será possível perceber quais músculos estão sendo acionados para preparar e dar sentido ao movimento, por que.
3:
Caminhando, apoie primeiro o dedão, depois o segundo, depois o terceiro, depois o quarto, depois o quinto, acomode a meia ponta da planta do pé, o calcanhar, passe o peso do corpo para este pé e de o passo, repetindo os movimentos com o outro pé que vai tocar o chão. Explore o toque dos dedos, um de cada vez, curta a sensação. Evite qualquer distração do foco, que é caminhar. Sua percepção da sequencia de gestos e da musculatura utilizada na ação vai aumentar com os dias de estudo.
Você lidou com quase todos os 640 músculos do seu corpo. Incluindo os respiratórios. A proposito, você precisou controlar sua respiração por pelo menos duas razões: para não perder o foco e para efetuar os movimentos.
O objetivo é, aos poucos, concluir os exercícios com o máximo de rendimento e o mínimo de esforço.  
4:  
Deite-se de barriga para cima. Joelhos dobrados. Pés afastados, joelhos encostados. Inspire pelo nariz e expire pelo nariz. Encontre o pulso adequado, o seu pulso. Evite distrações (aqui e agora). Alguns recomendam todos os exercícios de olhos abertos (encarando a realidade!). Convido você a fazer, do segundo exercício ate o quinto, de olhos fechados pelo menos uma vez (observação de sua individualidade, introspecção sem virar “ostra” ou “ilha”).
5:
Ainda deitado de barriga para cima, inspire e solte o ar com movimentos curtos, lábios em forma de bico (beijo) usando o fonema S, em 5 pulsos S – S – S – S – S.
Repita o exercício 3 vezes. Descanse entre um movimento e outro. Observe a cada vez, a posição das língua, dentes, lábios, bochechas. Você vai sentir sua face aos poucos, podendo regular os músculos que de fato precisam fazer esforço no movimento.
Faça este treinamento pelo menos duas vezes por dia, uma vez do exercício 5 para o exercício 2 e outra do 2 ao 5. Entenderemos que seu espaço de estudos estará sempre preparado e limpo. Caso precise, monte o espaço a cada vez, não deixa de ser um exercício útil.
Seja fiel a sua percepção. Procure sensações. Estude sensações. Afaste pensamentos quaisquer. Concentre-se na ação estudada. Há um movimento natural e varios anti-naturais, que consomem sua energia e o fazem ter preguiça de prosseguir. Va ao que e certo, eficaz.
Comece treinando por dez minutos num dia (5 e 5), então 14, então 20 e assim por diante. Cada um possui uma necessidade especifica. Quanto mais, e com mais cuidado, e dedicação, mais próximos ficamos de sermos os melhores. Não que outros, melhores que nos mesmos.

Para encontrar o pulso, leia poesia. Leia Pessoa:


Dona Rosa, Dona Rosa,
De que roseira é que vem,
Que não tem senão espinhos
Para quem só lhe quer bem?