quinta-feira, 6 de março de 2014

Preparação vocal socorrista, ideia nascente





Boa noite.
São mais de trinta anos convivendo com pessoas que cantam, profissionais e leigos (a maioria dos convivas). Desses encontros surgiram muitas ideias, dentre elas fazer um trabalho socorrista (e hoje há cursos especializados de ótima qualidade nessa área - Arteterapia, Musicoterapia e outros espaços na Medicina, Psiquiatria, Homeopatia e tantas correntes).
Ao escrevermos este post, não tínhamos a intenção de anunciar uma técnica, escola. Apenas registrar um dos momentos que vivemos, dentro dos liames do ensino acadêmico. Àqueles cujo assunto remeter a outras pesquisas, experimentações e atuações melhor conceituadas, agradecemos antecipadamente links, comentários e outras direções.
Tomamos, como recurso para realizar a presente preparação vocal socorrista, a improvisação.
Em uma improvisação vocal, muitas práticas vão emergindo com naturalidade: o cantor leigo vai se habituando à escuta do timbre e variações, sente a estabilidade das vibrações, controla a duração dos tons, combina-os criativamente e permite-se expressar ideias espontâneas e ao mesmo tempo raciocinadas; os embaraços orgânicos apresentam-se em proporções tangíveis nas células rítmicas e melódicas, para serem soçobrados na medida da propriocepção – trabalhamos para equilibrar tais perdas; os movimentos psíquicos antecedem essa percepção, revelando-se em esboços ou mesmo temas musicais consolidados, que podem ser analisados durante e após o experimento (que resolvemos, a partir do segundo semestre de 2016, gravar e postar no Youtube).
O trabalho individual – esperado no processo, se torna mais promissor quando outras pessoas partilham a experiência em tempo real. A improvisação vocal em conjunto é base, então, para estudos em casa. A escuta imparcial do outro, a possibilidade de análise e síntese de tais estímulos, enquadrando-os à própria produção envolve refinamento, aproximação, entendimento, distanciamento, esperas, renúncias. Em um primeiro momento, as vibrações combinadas devem atender lacunas humanas – limitações técnicas como dificuldades de afinação, de estabelecer pulso, figura e fundo em música, domínio de tons, intervalos musicais, arpejos, formação de acordes, uso de escalas, domínio de formas e gêneros musicais, de rupturas com a forma, porém atenção ao conteúdo delas.
Cada experiência leva, em média, trinta minutos. Duas improvisações por sessão são suficientes. O ponto de partida pode ser um bordão com lábios fechados, acrescentando-se ao bordão grupetos com vogais e sílabas. Silêncios e variações de dinâmica são vitais no processo. O trabalho pode ser realizado com as pessoas sentadas, de preferência em círculo.
Como o sentido do tato evidencia a aproximação, prescrevemos na presente sessão a técnica do jin shin jyutsu, conhecida como arte de liberação das tensões. A nutrição celular (e a abertura dos campos sutis, dos centros de criação) depende do desbloqueio das zonas de energia estagnada, viabilizando, dentre outras coisas, o fluxo criativo.
Um dos participantes toma a mão do outro e segura um dedo por vez, com seus dedos fechados sobre ele com leve pressão, por alguns instantes. Para uma compreensão básica, cada dedo concentra um estado psíquico – preferimos, nesta abordagem, apontar aspectos positivos relacionados ao toque – 1- interesse, equilíbrio da primeira profundidade; superfície da pele, recepção e processamento dos alimentos – estomago e baço (polegar); equilíbrio da segunda profundidade; derme; alento da vida – pulmões e intestino (anular); equilíbrio da terceira profundidade, essência do sangue; fígado e vesícula biliar (médio); equilíbrio da quarta profundidade; sistema muscular, circulação sanguínea; rins e bexiga (indicador); sistema esquelético, intuição; coração e intestino delgado (mínimo); o centro da mão é tocado por três dedos – fonte da vida, diafragma e plexo solar.
Na aplicação da técnica, acrescentamos a emissão contínua de um tom, produzida pelos participantes e modificada a cada troca de toque; esse tom é produzido com os fonemas M, N e L.
O plano de fundo, formado pelas harmonia dos tons sustentados sugere a expressão de canções já conhecidas e pertencentes à história de vida de cada cantante ou mesmo a criação de versos, quadras, glosas.

Na sessão seguinte, sugerimos iniciar os trabalhos com a escuta da gravação e análise do material – pontos positivos, técnicas vocais, aprimoramento da execução, antes do início da próxima improvisação.













quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

EXERCÍCIOS RESPIRATORIOS 2



  




1 – Deite-se confortável, costas alinhadas no chão. Joelhos dobrados. Pés separados um do outro na linha do quadril. Braços abertos na altura dos ombros, palmas das mãos voltadas para cima. Corrija a posição da cabeça, para que o queixo se aproxime do esterno o mais possível (assim você alinha sua laringe e músculos do pescoço). Dobre lentamente os dedos da mão direita de encontro a palma, as falanges de encontro ao punho, o punho de encontro ao cotovelo, estenda os dedos sobre o braço, role o antebraço por sobre as clavículas, ombro esquerdo, braço esquerdo, antebraço esquerdo ate tocar a mão esquerda. Faça o caminho de volta. Repita o processo com a mão esquerda. Repita o exercício 3 vezes, lento, sempre percebendo profundamente o contato com o chão.    
2 – Vire-se de lado. Inspire abrindo o corpo para trás, em forma de cunha. Expire retornando a posição de feto. Repita o gesto 3 vezes. Inverta o lado e repita o exercício 3 vezes.
3 – Use as mãos, cotovelos, joelhos para apoiar e dar sustentação a ação de ficar em pé. Separe os pés a 25cm um do outro, com os primeiros artelhos corrigindo a postura dos pés para dentro (a postura não fica torta). Flexione um pouco os joelhos, braços ao lado do corpo. Fique nessa posição ate que as pernas tremam. Aguente o máximo que puder. Então relaxe a tensão das pernas. Cuide todo tempo para que as costas fiquem alinhadas. Use a força da gravidade como referencia. Mantenha o olhar na altura dos olhos, sem que ele queira reter a paisagem a frente, mas que o ambiente venha à retina. Relaxe as expressões da face. Quando a fala mental vier distrai-lo(a), sopre o pensamento para longe.
4 – Caminhe pela sala, um passo, depois outro, depois outro, sem fazer outra coisa senão cuidar da eficácia do movimento. Se houver no ambiente obstáculos para transpor, escadas, cadeiras, use estes objetos para incrementar o passo. Caminhe por cinco minutos. Depois 10, depois 20min, ate completar uma hora de caminhada.
5 – Deite-se, costas alinhadas com o chão, pés separados, joelhos encostados, braços ao longo do corpo. Seu pensamento estimulará o pulso respiratório com as palavra INSPIRANDO EXPIRANDO. Permaneça algum tempo nesse movimento. Troque as palavras para PROFUNDO LENTO. Depois, controle os movimentos: insp lenta, exp lenta, insp  rápida, exp rápida, insp rapira exp lenta, insp rápida exp rápida. O exercício é feito primeiro com entrada do ar pelo nariz. Em outro dia, a inspiração controlada pela boca.

Vale experimentar pausas de dois a três pulsos depois da cada inspiração e cincos pulsos depois da expiração. Isso permite aos músculos  relaxarem, facilita a entrada e saída de ar e harmoniza os movimentos.


Para alimentar a imaginação, recomendo as leituras: 

Adeus, China - Li Cunxin

As filhas de Rashi - Maggie Anton

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

EXERCÍCIOS RESPIRATÓRIOS




Sequencia 1
1:
Escolha e disponha um lugar especifico para seus estudos, ventilado e claro, com poucos objetos, com tapete ou tatame, aquecedor para dias frios, espelho se lhe agradar. Um aparelho que toque musica ambiente será bem vindo.
Trabalhe descalço, com roupas confortáveis.
2:
Caminhe pelo local de estudos, olhando adiante, na linha dos olhos. Sinta seu passo natural, corrija a forma de uso das plantas dos pés. Imagine uma mão amiga apoiando o centro da sua coluna e estimulando suas passadas. Ganhe velocidade naturalmente. Inverta o sentido do passo (trás, frente, lado, peso maior em uma das pernas, variando o peso na planta dos pés). Permita que seu corpo deslize pelo espaço, ancorado em seu tempo individual. Perceba que tempo e esse (onde estou, quem sou, como me sinto aqui e agora). Complete os espaços vazios do local de estudos com seu corpo, ocupe espaços, o maior e o menor. Procure evitar qualquer distração do foco, que é caminhar. Aos poucos, será possível perceber quais músculos estão sendo acionados para preparar e dar sentido ao movimento, por que.
3:
Caminhando, apoie primeiro o dedão, depois o segundo, depois o terceiro, depois o quarto, depois o quinto, acomode a meia ponta da planta do pé, o calcanhar, passe o peso do corpo para este pé e de o passo, repetindo os movimentos com o outro pé que vai tocar o chão. Explore o toque dos dedos, um de cada vez, curta a sensação. Evite qualquer distração do foco, que é caminhar. Sua percepção da sequencia de gestos e da musculatura utilizada na ação vai aumentar com os dias de estudo.
Você lidou com quase todos os 640 músculos do seu corpo. Incluindo os respiratórios. A proposito, você precisou controlar sua respiração por pelo menos duas razões: para não perder o foco e para efetuar os movimentos.
O objetivo é, aos poucos, concluir os exercícios com o máximo de rendimento e o mínimo de esforço.  
4:  
Deite-se de barriga para cima. Joelhos dobrados. Pés afastados, joelhos encostados. Inspire pelo nariz e expire pelo nariz. Encontre o pulso adequado, o seu pulso. Evite distrações (aqui e agora). Alguns recomendam todos os exercícios de olhos abertos (encarando a realidade!). Convido você a fazer, do segundo exercício ate o quinto, de olhos fechados pelo menos uma vez (observação de sua individualidade, introspecção sem virar “ostra” ou “ilha”).
5:
Ainda deitado de barriga para cima, inspire e solte o ar com movimentos curtos, lábios em forma de bico (beijo) usando o fonema S, em 5 pulsos S – S – S – S – S.
Repita o exercício 3 vezes. Descanse entre um movimento e outro. Observe a cada vez, a posição das língua, dentes, lábios, bochechas. Você vai sentir sua face aos poucos, podendo regular os músculos que de fato precisam fazer esforço no movimento.
Faça este treinamento pelo menos duas vezes por dia, uma vez do exercício 5 para o exercício 2 e outra do 2 ao 5. Entenderemos que seu espaço de estudos estará sempre preparado e limpo. Caso precise, monte o espaço a cada vez, não deixa de ser um exercício útil.
Seja fiel a sua percepção. Procure sensações. Estude sensações. Afaste pensamentos quaisquer. Concentre-se na ação estudada. Há um movimento natural e varios anti-naturais, que consomem sua energia e o fazem ter preguiça de prosseguir. Va ao que e certo, eficaz.
Comece treinando por dez minutos num dia (5 e 5), então 14, então 20 e assim por diante. Cada um possui uma necessidade especifica. Quanto mais, e com mais cuidado, e dedicação, mais próximos ficamos de sermos os melhores. Não que outros, melhores que nos mesmos.

Para encontrar o pulso, leia poesia. Leia Pessoa:


Dona Rosa, Dona Rosa,
De que roseira é que vem,
Que não tem senão espinhos
Para quem só lhe quer bem?

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Segundo encontro de canto 2014





*www.facebook.com world peace

as quatro lógicas clássicas
as duas lógicas reflexivas
o afeto como bateria da razão
a voz e a escrita como expressão do afeto
sublimação

um tema cantado
por que escolher tal tema

mais detalhes em fevereiro

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Primeiro encontro de canto de 14



 Elis Regina e João Marcello: cantora morreu quando o filho tinha 11 anos
*veja sp elis regina

>Convivência, negociações, bem estar pessoal e social
> regulação, prevenção de vulnerabilidades
> conhecer, denominar, desenvolver
>métodos
>saber fazer, saber ser, saber estar, saber conviver
>comunicação, tomada de decisões
>expectativas realistas de si
>capacidade de fluir, de fruir
>equilibrio e desequilibrio
>capacidade laboral
>consciência
>técnicas
>autonomia
>treinamento
>revisão das crenças negativas - você tem o direito de fazer o que lhe parece bom, mas gostaria que dessa maneira não fosse feito comigo
>motivar
>relacionamentos entre pares
>qualquer comportamento pode ser educativo ou deseducativo
>repertório

Mais detalhes a partir de fevereiro. Bons estudos.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Início da mensagem


 *google images


Canto é meu escudo sagrado, sem ele o druida rei mago aqui fenece. Gosto demais das pessoas que tratam o canto com eficácia e respeito.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Ser útil

Olá, tudo bem?
Tenho dito bastantes coisas que precedem a entrada do cantante na  "lida de cantante" (quando ele deixa de ser cantante de chuveiro e passa a abrir o cantar como uma habilidade importante a ser desenvolvida, como dormir, alimentar-se, caminhar).
Hoje coloquei três referências a serem tomadas como base ao exercício:
chorar - afeito aos sons graves que produzimos com nossa voz, quando o choro é profundo e nos sacia.
rir - afeito aos sons médios da nossa voz, com uma infinidade de variações melódicas e que só sacia quando bem gargalhado.
gritar - afeito aos sons agudos da nossa voz, imprescindíveis em nosso exercício de autolibertação (dos padrões, dos grilhões autoimpostos pela adultez).
A mistura destas três manifestações vocais primevas ajuda a dar forma ao canto.
O canto possui categorias, que vão das estridências mais "ardidas" aos mais puros matizes de tom (neste caso citei os cantores líricos como estando num dos extremos da estratificação, e que será árduo o trabalho de ombrear com eles - muita dedicação e estudo, que começa seriamente a partir dos 14-17anos, quando da entrada na puberdade, assim como será dificílimo adonar-se de certas técnicas de estridência usadas em algumas culturas).
Algumas técnicas vocais promovem longevidade à voz, outras limitam sua utilização.
Em geral, o cantante necessita adentrar os estudos musicais para bem utilizar sua voz de canto.
Falei também sobre contexto, sobre as canções fazerem parte do cotidiano de um cantante, como história de vida dele.
E então comecei a perguntar qual seria a canção do momento histórico que ora vivemos. E as pessoas trouxeram a necessidade do riso, de tornar mais leve tal momento.

Aposto nas canções "fibrosas", como Lá, da Ceumar, Milagre da Alegria, do Morais Moreira, Viva, do Kleiton e Kledir, Coração Civil, do Milton Nascimento e Cavaleiro de Jorge, do Caetano. Estão aí as minhas sugestões.

Na segunda-feira uma amiga me mostrou um CD que ela ganhou na empresa: o chefe saiu de setor em setor perguntando aos colegas qual a música significativa de 2013 para cada um. Anotou direitinho e montou um CD. No dia da confraternização, todos ganharam o CD, com as músicas preferidas do grupo. Um ótimo exercício de solidariedade.


Como a estrela ria, como a canção se fez
Como o amor me guia
Eu me guio só por vocês
Tanto serei criança
Tanto melhor a voz
Tanto serei quem dança
Quando a dança fizermos nós
Vai, vem tudo que o mundo tem
Só o que não se cansa
É a gente se querer bem.

 



Zimbabwe:
O nosso som é espiritual. Quando temos um problema, nós tocamos e cantamos. Essa comunicação com nossos ancestrais nos torna mais seguros, corajosos e preparados para enfrentar os obstáculos, que não são poucos.